Para minha vovó

Fevereiro 16, 2008

Comigo brincaste, riste e choraste. Foste meu porto seguro e meu maior exemplo de coragem e força.

A mim dedicaste amor, provavelmente o maior amor que pode existir, sempre sem medidas apesar de conhecer melhor do que ninguém todos os meus defeitos.

Ao teu lado, eu fui feliz, mimada ao extremo, recebi os beijos mais carinhosos e provavelmente as maiores lições de vida.

A mim contaste tua vida, teus medos, teus sonhos, tuas desilusões e quantas vezes não quis ser igual a ti?

Ao meu lado estiveste em todas as minhas conquistas, em todas as minhas frustrações, em todas as minhas doenças, temendo por mim, querendo me proteger de tudo e de todos e eu, muitas vezes, sem entender o porquê de tanta proteção.

Contigo sempre pude contar, pra me relatar as novidades, pra torcer pelo meu sucesso, pra entender que eu não era exatamente o que desejavas como neta.

Contigo briguei, muitas vezes sem razão e de ti sempre esperei e obtive o perdão, a compreensão, apesar de sempre vir após a raiva momentânea.

A ti devo a lição, o afeto, o zelo, o carinho, a simplicidade de um abraço apertado, de um contar de dias afastadas, de um pudim de aniversário, de uma canção de ninar jamais esquecida, de uma oração na testa, de uma lágrima de preocupação.

A ti, vovó, eu devo o que sou e o que um dia serei. A ti eu devo o significado das palavras força, fé, família e doação.

Não há despedidas, porque o reencontro acontece todos os dias entre nós. Nas palavras, nos gestos, nas atitudes e até nos preconceitos.

Noventa e um anos é tempo demais? Talvez. Eu viveria mais novecentos e dez ao teu lado,ou até mesmo um único dia a mais, só para, mais uma vez, ouvir teus conselhos e, mais uma vez, dizer-te o quanto te amo.

Que um dia eu possa voltar a ser criança nos teus braços e eu possa ouvir, mais uma vez, aquela velha canção de ninar que diz que “muito em breve ó mãe querida lá no céu me encontrarás”…