Telefone

Março 17, 2008

Sou ansiosa patológica, do tipo diagnosticada por psiquiatra e com prescrição de medicamento e indicação de psicoterapia.

Durante muito tempo, achei que minha ansiedade fosse dentro dos limites da normalidade.

Quando meus cabelos começaram a cair vertiginosamente e eu não estava conseguindo dar um rumo na minha vida, percebi que a ansiedade dentro dos limites da normalidade, estava me prejudicando e deixando de ser fisiológica, para ser patológica.

Mas poucas coisas na face da Terra me deixam mais ansiosa do que um telefone celular!

Quando eu era criança e mamãe trabalhava num Banco, ouvia de minha vó que jamais deveria incomodar minha mãe no trabalho, a não ser que fosse algo muito, muito sério. Todos os meu acidentes escolares, doenças, pitis e machucados eram resolvidos pela minha avó, em nome da concentração e da paz para que mamãe pudesse trabalhar bem e sem intercorrências.

Quando os primeiros celulares surgiram, eu ainda estava na escola e eles eram caríssimos, horrorosos e super pesados. Impregnei a vida da minha mãe pra que ela me desse um só meu e não apenas me desse o dela de vez em quando.

Não demorou muito pra que ela cedesse aos meus apelos, mas eu nem imaginava que o “sonho” viraria pesadelo.

Eu sou completamente viciada em telefone celular!! Tenho crises histéricas quando a bateria acaba, fico desesperada quando o telefone toca e não me conformo enquanto não compro o mais moderno, bonito, pequeno e com mais recursos.

Mas de todas as coisas que mais me irritam, nada, ABSOLUTAMENTE NADA me irrita mais do que ligar pra alguém e este alguém não me atender. Eu só falto ter um ataque histérico se essa pessoa demorar muito tempo pra me retornar, não importando se ela está dormindo, tomando banho, deixou o celular em casa ou foi abduzida. Chego a um absurdo tal, de ligar insistentemente umas 5 vezes seguidas, o que acho o cúmulo, mas também é muito difícil de controlar.

Minha mãe, aquela mesma que eu não podia ligar para o trabalho dela pra não incomodá-la, às vezes me liga nas horas mais impróprias, quando estou atendendo pacientes, examinando ou até mesmo fazendo reanimação cardiopulmonar e igualmente não se conforma se eu não a atender. Se ela julgar necessário, repete a chamada mais de 10 vezes, mesmo tendo plena consciência de que estou no meu horário de trabalho.

Vejam só! Tantas coisas pra herdar dela e eu fui “escolher” logo o desespero por celular!

Ora, Genética, faça-me o favor!

Baci!

Para minha vovó

Fevereiro 16, 2008

Comigo brincaste, riste e choraste. Foste meu porto seguro e meu maior exemplo de coragem e força.

A mim dedicaste amor, provavelmente o maior amor que pode existir, sempre sem medidas apesar de conhecer melhor do que ninguém todos os meus defeitos.

Ao teu lado, eu fui feliz, mimada ao extremo, recebi os beijos mais carinhosos e provavelmente as maiores lições de vida.

A mim contaste tua vida, teus medos, teus sonhos, tuas desilusões e quantas vezes não quis ser igual a ti?

Ao meu lado estiveste em todas as minhas conquistas, em todas as minhas frustrações, em todas as minhas doenças, temendo por mim, querendo me proteger de tudo e de todos e eu, muitas vezes, sem entender o porquê de tanta proteção.

Contigo sempre pude contar, pra me relatar as novidades, pra torcer pelo meu sucesso, pra entender que eu não era exatamente o que desejavas como neta.

Contigo briguei, muitas vezes sem razão e de ti sempre esperei e obtive o perdão, a compreensão, apesar de sempre vir após a raiva momentânea.

A ti devo a lição, o afeto, o zelo, o carinho, a simplicidade de um abraço apertado, de um contar de dias afastadas, de um pudim de aniversário, de uma canção de ninar jamais esquecida, de uma oração na testa, de uma lágrima de preocupação.

A ti, vovó, eu devo o que sou e o que um dia serei. A ti eu devo o significado das palavras força, fé, família e doação.

Não há despedidas, porque o reencontro acontece todos os dias entre nós. Nas palavras, nos gestos, nas atitudes e até nos preconceitos.

Noventa e um anos é tempo demais? Talvez. Eu viveria mais novecentos e dez ao teu lado,ou até mesmo um único dia a mais, só para, mais uma vez, ouvir teus conselhos e, mais uma vez, dizer-te o quanto te amo.

Que um dia eu possa voltar a ser criança nos teus braços e eu possa ouvir, mais uma vez, aquela velha canção de ninar que diz que “muito em breve ó mãe querida lá no céu me encontrarás”…

O Mais é Nada

Janeiro 6, 2008

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela,  mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o  seu calor é  para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar  no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos,  não  pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta;

conserve a vontade de viver, não se  chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual  for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa  procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando  julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se  afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.

(Fernando Pessoa)

 

O texto acima é referenciado como do Fernando Pessoa e eu confesso que o acho otimista demais para o poeta, mas quem sou eu pra discutir autoria de alguma coisa?

O fato é que, plagiando meu amigo Leonardo Aquino, “escrever em Blog é coisa de gente triste” e eu estava muito triste até ontem.

Hoje me muni da fé da minha mãe, aquela mesma que remove montanhas e percebi o quanto a minha vida é bela e gratificante. Se hoje estou triste é porque certamente ficaria mais triste mais tarde!

“Se não deu certo, é porque não é o final”

O mais, é nada!

Baci!

DAM – Dispositivo Anti-Mãe

Dezembro 27, 2007

Antes que vocês me chamem de insensível (na verdade não tenho verdadeira ciência do meu grau de sensibilidade mas este não é o caso), gostaria de dizer que amo muito a minha mãe.

Ela tem algumas excentricidades (apesar de não ser rica e, portanto, suas excentricidades deveriam ser chamadas de doidices mesmo) mas é muito amorosa, honesta, companheira, coruja e se doa integralmente a mim. Confesso até que ultimamente acho que ela está vivendo a minha vida e não a dela, mas tudo bem.

O fato é que já sonhei várias vezes em inventar algo revolucionário que seria o DAM – Dispositivo Anti-Mãe.

Pensei em vários tipos de instrumentos, como mordaças até teletransportadores, mas cheguei à conclusão de que o ideal seria um controle remoto. Sim. Controle Remoto!

Funcionaria da seguinte maneira: quando ela começasse a reclamar da sua bagunça, dos seus livros espalhados, do seu excesso de roupas e/ou de seu descontrole financeiro, você apertaria um do magníficos botões inclusos no pacote e teria acesso à previsão do tempo, a clipes de música ou até mesmo a célebres frases de seus filmes preferidos com interpretação e tradução simultânea. Claro que uma super TV de LCD de 42 polegadas tem que acompanhar o dispositivo.

Se você estivesse sofrendo por um amor não correspondido, ao invés de sua querida mamãe lhe criticar e dizer que seu namorado é um cachorro, você apertaria mais um fantástico botão da engenhoca e ela passaria a dar conselhos de renomados psicólogos.

Haveria também a possibilidade de você acionar um canal de culinária, o que a faria cozinhar as maiores delícias para você todos os dias e quando ela começasse a reclamar que você engordou, que está obesa, horrenda e que ninguém vai te querer, você acionaria mais um botão e iniciaria o programa de exercício com um personal trainer e tudo, sem se esqueer da trilha sonora, sempre antenada no que há de mais moderno em termos de gym music.

Não posso me esquecer do canal de compras, ligado 24 horas por dia, no caso de precisarmos de companhia para umas comprinhas básicas.

Ah! Mas o principal botão do dispositivo seria a tecla MUTE. Quando você simplesmente não quisesse mais discutir nem argumentar, nem se distrair com programação nenhuma, bastaria uma tecla mute.

Eu compraria o DAM, sem medo de ser feliz, de preferência quando estivesse próximo de datas festivas, como o Natal, momento em que a minha mãe mais me estressa. Será que o Submarino venderia???

Feliz Natal atrasado e que em 2008 tenhamos realizações pessoais, profissionais, amorosas, financeiras e sejamos extrema e absurdamente felizes!

Baci!