Família

Outubro 8, 2010

Minha família é minha maior paixão.

Qualquer pessoa que me conhece ou conhece meus primos sabe que somos muito mais que primos. Somos irmãos. Criados com os mesmos valores e a mesma paixão pela educação, cultura, caráter, honestidade.

Qualquer pessoa que vê a relação entre meus tios, tias e mãe, sente o quanto podemos ser unidos e nos admira pelo amor que transcede qualquer palavra.

Minha família era e é também o maior orgulho do meu primo-irmão, brutalmente arrancado de mim e de nós.

Não é pra menos.

Temos orgulho do que somos. Temos orgulho de tudo que conquistamos através de trabalho duro e sempre com muito estudo e afinco.

Temos orgulho por sermos unidos e amados. Temos orgulho porque nunca fomos ricos mas somos dignos e temos uma vida digna.

Somos felizes, admirados e muito, muito invejados.

Perdão, Senhor, aos teus filhos que ainda não aprenderam que podem construir já que pensam apenas em destruir a felicidade alheia.

Obrigada, Senhor, por ter me feito nascer numa família tão maravilhosa e afasta de nós todos os abutres desse mundo.

Protege, Senhor, minha avó e meu primo Fabricio, duas almas que certamente estão ao teu lado neste momento.

Maior do que qualquer maldade deste mundo, está a Tua Justiça e, Essa, eu sei que jamais falhará.

Como já falei anteriormente, quem quiser nos odiar e invejar, tem um longo trabalho pela frente!

Tô indo bem ali ser feliz e já volto!

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30 anos

Setembro 23, 2010

Tudo bem que este post está meio que muito atrasado, porque, em tese, deveria tê-lo escrito/postado no dia do meu aniversário mas, passados 2 meses e com a idade ainda martelando na minha cabeça, achei justo fazer algumas considerações.

Fazer 30 anos tem um quê de mágico e de mundano ao mesmo tempo, um quê de vitória e de derrota… Como tudo na vida, talvez.

Às vésperas do meu aniversário, entrei numa neura e eu mesma não estendi porque mas conforme os dias foram passando, acho que fui entendendo melhor.

Aos 30 anos, nos deparamos com o final do processo de desenvolvimento. Acho que nos próximos 10 anos, estarei nuam espécie de platô e em seguida, a decadência (posso estar errada e espero estar, mas é assim que me sinto hoje).

Fazer 30 anos tem a ver com o provável “auge” e a gente se pergunta se realmente está no auge ou como estaria aos 30 anos se tivesse feito escolhas diferentes.

Eu poderia ter me casado e hoje ter filhos.

Eu poderia ter escolhido outra profissão e consequentemente, outra vida.

Eu poderia ter continuado onde estava.

Eu poderia ter mudado de continente.

Eu poderia…

Impossível ter a resposta pra tantos questionamentos. O fato é que eu PODERIA, sim. Mas os rumos que tomei me levaram ao lugar onde estou e o que eu POSSO e o que eu QUERO, se misturaram de tal forma que não sei mais onde um começa e onde outro termina.

Pela primeira vez, consegui ver minha mãe, meus tios e as minhas pessoas amadas, envelhecendo e, talvez, preparando-se pra me deixar num período que não temos como precisar. Tudo isso enquanto eu mesma envelheço e amadureço e paro de culpar os outros pelas minhas próprias decisões que são tomadas todos os dias.

Pensar em perdas aos 30 anos depois de eu já ter perdido 2 das pessoas mais amadas da minha vida é até contraditório mas foram situações diversas.

Hoje, aos 30 anos, pela primeira vez tive medo de que minha mãe me deixe e que ela nunca tenha um neto. Pela primeira vez senti medo de envelhecer sozinha. Logo eu que sempre fui tão auto-suficiente…

Devo, certamente, agradecer pela dádiva de viver 30 anos. Tanta gente vive tão menos e conhece tão pouco do mundo, da vida, de tudo que eu amo tanto…

Mas, confesso, esses anos estão pesando… Talvez pelo amadurecimento que, aparentemente, por fim está chegando…

Telefone

Março 17, 2008

Sou ansiosa patológica, do tipo diagnosticada por psiquiatra e com prescrição de medicamento e indicação de psicoterapia.

Durante muito tempo, achei que minha ansiedade fosse dentro dos limites da normalidade.

Quando meus cabelos começaram a cair vertiginosamente e eu não estava conseguindo dar um rumo na minha vida, percebi que a ansiedade dentro dos limites da normalidade, estava me prejudicando e deixando de ser fisiológica, para ser patológica.

Mas poucas coisas na face da Terra me deixam mais ansiosa do que um telefone celular!

Quando eu era criança e mamãe trabalhava num Banco, ouvia de minha vó que jamais deveria incomodar minha mãe no trabalho, a não ser que fosse algo muito, muito sério. Todos os meu acidentes escolares, doenças, pitis e machucados eram resolvidos pela minha avó, em nome da concentração e da paz para que mamãe pudesse trabalhar bem e sem intercorrências.

Quando os primeiros celulares surgiram, eu ainda estava na escola e eles eram caríssimos, horrorosos e super pesados. Impregnei a vida da minha mãe pra que ela me desse um só meu e não apenas me desse o dela de vez em quando.

Não demorou muito pra que ela cedesse aos meus apelos, mas eu nem imaginava que o “sonho” viraria pesadelo.

Eu sou completamente viciada em telefone celular!! Tenho crises histéricas quando a bateria acaba, fico desesperada quando o telefone toca e não me conformo enquanto não compro o mais moderno, bonito, pequeno e com mais recursos.

Mas de todas as coisas que mais me irritam, nada, ABSOLUTAMENTE NADA me irrita mais do que ligar pra alguém e este alguém não me atender. Eu só falto ter um ataque histérico se essa pessoa demorar muito tempo pra me retornar, não importando se ela está dormindo, tomando banho, deixou o celular em casa ou foi abduzida. Chego a um absurdo tal, de ligar insistentemente umas 5 vezes seguidas, o que acho o cúmulo, mas também é muito difícil de controlar.

Minha mãe, aquela mesma que eu não podia ligar para o trabalho dela pra não incomodá-la, às vezes me liga nas horas mais impróprias, quando estou atendendo pacientes, examinando ou até mesmo fazendo reanimação cardiopulmonar e igualmente não se conforma se eu não a atender. Se ela julgar necessário, repete a chamada mais de 10 vezes, mesmo tendo plena consciência de que estou no meu horário de trabalho.

Vejam só! Tantas coisas pra herdar dela e eu fui “escolher” logo o desespero por celular!

Ora, Genética, faça-me o favor!

Baci!

Para minha vovó

Fevereiro 16, 2008

Comigo brincaste, riste e choraste. Foste meu porto seguro e meu maior exemplo de coragem e força.

A mim dedicaste amor, provavelmente o maior amor que pode existir, sempre sem medidas apesar de conhecer melhor do que ninguém todos os meus defeitos.

Ao teu lado, eu fui feliz, mimada ao extremo, recebi os beijos mais carinhosos e provavelmente as maiores lições de vida.

A mim contaste tua vida, teus medos, teus sonhos, tuas desilusões e quantas vezes não quis ser igual a ti?

Ao meu lado estiveste em todas as minhas conquistas, em todas as minhas frustrações, em todas as minhas doenças, temendo por mim, querendo me proteger de tudo e de todos e eu, muitas vezes, sem entender o porquê de tanta proteção.

Contigo sempre pude contar, pra me relatar as novidades, pra torcer pelo meu sucesso, pra entender que eu não era exatamente o que desejavas como neta.

Contigo briguei, muitas vezes sem razão e de ti sempre esperei e obtive o perdão, a compreensão, apesar de sempre vir após a raiva momentânea.

A ti devo a lição, o afeto, o zelo, o carinho, a simplicidade de um abraço apertado, de um contar de dias afastadas, de um pudim de aniversário, de uma canção de ninar jamais esquecida, de uma oração na testa, de uma lágrima de preocupação.

A ti, vovó, eu devo o que sou e o que um dia serei. A ti eu devo o significado das palavras força, fé, família e doação.

Não há despedidas, porque o reencontro acontece todos os dias entre nós. Nas palavras, nos gestos, nas atitudes e até nos preconceitos.

Noventa e um anos é tempo demais? Talvez. Eu viveria mais novecentos e dez ao teu lado,ou até mesmo um único dia a mais, só para, mais uma vez, ouvir teus conselhos e, mais uma vez, dizer-te o quanto te amo.

Que um dia eu possa voltar a ser criança nos teus braços e eu possa ouvir, mais uma vez, aquela velha canção de ninar que diz que “muito em breve ó mãe querida lá no céu me encontrarás”…

Aniversário

Fevereiro 10, 2008

Hoje é aniversário do meu primo Fabricio.

É muito estranho “comemorar” o aniversário de alguém que não está mais estre nós, no mundo físico, mas não deixa de ser uma data extremamente especial por lembrarmos o dia em que AQUELA PESSOA ESPECIAL nasceu.

Apesar de ter certeza de que já falei nesse assunto em demasia e correr o risco de me tornar uma chata (sempre de plataformas, por favor), o assassinato do meu primo-irmão foi e ainda é, pra mim e pra toda a minha família, um verdadeiro divisor de águas.

Pra ser bem sucinta, aconteceu assim: Meu primo era promotor de Marapanim, uma cidade no interior do Pará, há cerca de 10 anos. A cidade é super pacata, tem um caranguejo maravilhoso, marujada (dança típica), o Círio de Nossa Senhora da Conceição e outras coisas legais. Lá, Fabricio era autoridade. Muito querido e super bem tratado.

Ele pediu que um tal advogado devolvesse um processo que ele mesmo (o advogado) estava envolvido por tentativa de homicídio e lesão corporal gravíssima, mas o tal advogado não queria devolver o processo ao fórum, como forma de tentar atrasar o julgamento. Fabricio solicitou providências à juíza que expediu um ofício (ou seja lá como se chama o documento que foi mandado) ao tal advogado numa quarta-feira.

Na sexta-feira, por volta de 8 e 9 da manhã, o tal advogado entrou na sala do meu primo, dentro do fórum de Marapanim e atirou 6 vezes nele. Fabricio não teve chance de defesa e morreu cerca de 2 a 3 minutos após, sendo que um dos tiros foi na nuca, quando ele já estava morto e caído no chão, como forma do assassino ter certeza de que ele não sobreviveria.

Falar do Fabricio é muito difícil pra mim. Ele sempre foi meu irmão em todos os sentidos e todos os dias. Ele puxava minhas orelhas por todos os motivos do mundo, desde coisas banais como eu ter esquecido de tampar a garrafa de água, até coisas graves como moral, amizades, romances e etc.

Ele me apoiou durante toda a faculdade, teve milhões de medos por mim e tentava me proteger de absolutamente tudo. A coisa mais comum do mundo era ele chegar na sua casa, num dos finais de semana em que eu ficava por lá e gritar “Cadê minhas meninas???” ou fazer comentário do tipo “Cabelo de mulher não tem cor, com exceção dos cabelos da minha irmã e da minha prima”.

Certa vez, uma namorada dele o acusou de tê-la traído e ele falou: “Meu bem, na minha vida só existem 03 mulheres – a minha mãe, a minha irmã e a minha prima”.

Ele tinha momentos de grosseria extrema comigo, formas exdrúxulas de me repreender, mas tinha a palavra de conforto, o ombro em que eu sempre soube que poderia me apoiar.

Falar do Fabricio no dia do se aniversário é lembrar de festa, muitas festas sempre.

Meu primo sempre foi festeiro, sempre teve muitos amigos, sempre gostou de reunir todos que ele amava (e ama) ao seu redor.

Acho que a lembrança mais antiga que tenho dele é do aniversário dele de 15 anos, numa pizzaria. Eu tinha 04. Claro que são poucas lembranças de fato. O que eu acho que é lembrança, pode ser só fruto da minha imaginação pelas fotos que vi mais tarde, mas eu acho que me lembro da pizzaria e de todas aquelas crianças e adolescentes reunidos comendo horrores de pizza 🙂

Houve aniversários do Fabricio em que ele fez churrascadas memoráveis, com direito a mais de 10 horas de festa. Houve aniversários em que comemoramos na casa dos meus tios com muita comida e bebida e que no dia seguinte nos matávamos de comer os RO (restos de ontem) e abríamos os presentes, comentávamos as situações e os convidados.

Houve também aniversários em que éramos só nós, só a família, só um bolo e todo o amor do mundo. Tio Reynaldo, tia Aurea, Vanessa, Fabricio, Vovó e eu. O resto da família chegava e depois víamos televisão ou jogávamos bridge, autorama, xadrez, dama.

Saudade dói e muito mas o amor que existe entre nós, jamais terá fim. Hoje eu tenho plena certeza disso.

Abaixo segue o texto que escrevi pro meu primo e li na missa de 01 ano de seu falecimento. Minha tia fez questão de publicá-lo no jornal hoje, dia do seu aniversário de 39 anos.

“Após um ano da nossa brusca e prematura separação, os ânimos vão se acalmando, a revolta vai nos deixando e a mágoa dói mais fundo. A tua ausência se manifesta diariamente nas coisas e situações mais ínfimas às mais importantes.

Impossível não pensar em tudo que poderia ter sido e não é. Em tudo que poderíamos ter dito e não dissemos. Em tudo, absolutamente tudo, que poderíamos ter vivido e não nos foi permitido.

Nas atividades cotidianas, quando displicentemente tentamos levar uma vida o mais próximo possível do normal, subitamente nos damos conta da grandiosidade da tragédia que se abateu sobre nós e te levou.

Quantas vezes me ligarias pra tirar alguma dúvida médica, perguntar sobre um remédio ou sobre um especialista?

Quantas vezes almoçaríamos juntos na casa de teus pais e tu contarias as fofocas, as novidades, o carro novo, a viagem de férias, os preparativos para o casamento?

Qual o sabor da pizza que pediríamos pra que tu comesses ao retornar do futebol de sábado e nos culpar por termos comido até o último pedaço, quando na verdade tinha comido tudo menos o último pedaço?

De quantas festas participaríamos na tua casa com tantos amigos e pessoas queridas?Quantas pessoas encontraríamos na rua e comentaríamos depois? Quantas pessoas conhecidas tuas encontrei nesse ano e simplesmente não achei qualquer palavra pra dizer diante da tua falta?

Quantas vezes perguntarias sobre a grafia de alguma palavra ou me contarias sobre o restaurante novo, a boate da moda?

Que vestido eu usaria no teu casamento?

Ficarias feliz com o término da minha residência? E os novos rumos na  minha carreira, aprovarias?

Quantas vezes me criticarias como forma de mostrar como te importavas comigo?

Que presente eu te daria no Natal?

Viajaríamos juntos mais alguma vez?

Quantas vezes mais brigaríamos e nos xingaríamos pra depois passar qualquer raiva como se nada tivesse acontecido?

Quantas gargalhadas daríamos e quantas lágrimas eu poderia enxugar no teu ombro?

Nossos filhos seriam amigos?

Quantas vezes eu tive a oportunidade de te dizer o quanto te amo e não aproveitei? Será que tu tens a devida noção do quanto és amado até hoje?

Quantas vezes não acordei querendo crer que tudo não passava de um pesadelo e que aparecerias na porta da tua casa subitamente?

O que falar pra quem não te conheceu? Como explicar tua importância?

Como explicar que quem atirou em ti, matou também um pedaço de cada um de nós?

Como explicar que não és apenas um nome, uma foto, uma lembrança, uma história triste, uma premiação, um auditorio ou um centro de estudos?

Primo, hoje, após um ano sem ti, só posso dizer que a dor não cessa nem diminui. A revolta se torna inútil porque não faz com que os nossos corações se acalmem e até a raiva pela tua partida e pelo teu algoz não se aproxima da imensidão da tua falta.

Como conviver com a falta da tua voz, da tua eloqüência, da tua luz, da tua vida?

O que esperar e desejar e tentar acreditar além de justiça e reencontro?

Nesses 365 dias, só a esperança do nosso reencontro tem nos feito prosseguir, mas não há dúvidas que sem você meu primo, meu irmão, o mundo se tornou mais cinza, menos alegre e com muito menos sentido.

Fique em paz nos braços da vovó Pascoa, do vovô Eduardo e dos teus avós Consuelo e Alexandre e não se esqueça de preparar a festa mais bonita que puderes para o nosso reencontro, pois imploramos a Deus que ele permita que isso aconteça.

Qualquer dia, primo, a gente vai se encontrar.

Até breve ou até sempre, porque hoje te vejo como parte de mim e da minha consciência e sei que de onde estiveres, estarás sempre zelando por nós.” 

Vanessa

Janeiro 4, 2008

Janeiro está longe de ser meu mês preferido, mas nele posso incluir os aniversários de algumas das pessoas mais importantes da minha vida.

Vanessa é minha prima-irmã. Não. Vanessa é muito muito mais que isso.

Vanessa é a personificação da minha família.

Quando éramos crianças, ela me tratava como mãe. Na nossa infãncia remota ela, que é 3 anos mais velha que eu, não costumava brincar comigo.

Recordo com carinho do dia em que nos aproximamos. Eu tinha uns 7 ou 8 anos e morava na casa da vovó junto com minha mãe. Não sei se meus tios tinham ido a alguma festa ou se estavam viajando, só lembro que Vanessa foi dormir na minha casa. As salas grandes da casa da vovó estavam sendo reformadas e os móveis não estavam lá. Tudo que tínhamos eram 2 salas conjugadas e todo o espaço pra nossa imaginação. Brincamos até não agüentarmos mais e desde então passei a ir a sua casa todos os finais de semana.

Meus tios moravam a umas 5 quadras da minha casa e nós fizemos de tudo um pouco juntas. Andamos de bicicleta, inventamos jogos, fomos acionistas da bolsa de valores, leiloeiras de arte, detetives, jogaoras de futebol, patinadoras, bailarinas, atrizes, corredoras de fórmula 1.

Assistimos aos mais variados filmes. Lemos os mais variados livros. Contamos os mais variados segredos uma pra outra.

Com Vanessa aprendi o que é cuidar e ser cuidada, a amar e ser amada. Aprendi o que é ter uma irmã.

Não tenho como quantificar tudo que ela já fez por mim, nem o medo que sinto dela até hoje quando sei que fiz algo que a desapontaria, assim como não tenho como quantificar o orgulho que sinto dela e que eu sei que ela sente de mim.

Não há pessoa no mundo em quem eu confie mais. Não há pessoa no mundo que eu deseje mais bem. Não há pessoa no mundo que me entenda e queira o meu bem como ela.

Lembro que uma vez falei pra ela que em hebraico “prima” e “irmã” eram uma palavra só. Ela rebateu dizendo que isso se devia certamente a uma pobreza extrema da língua. Mas o significado é exatamente igual para nós. Talvez se fôssemos irmãs de verdade, não seríamos tão amigas.

Estamos unidas pelo amor de irmãs, mas também pela dor. Nós duas sabemos o que é perder um irmão, que não por acaso era o irmão dela e meu primo.

Certa vez, na adolescência, perguntei a Vanessa se continuaríamos tão amigas durante a vida adulta e ela me disse que com certeza sim. Que os programas seriam a diferença. Ao invés de irmos ao shopping ou ao restaurante, marcaríamos de levar nossos filhos à praça 🙂

Nunca falei de meus amores pra Vanessa. Achava que ela tomaria minhas dores e sofreria junto comigo. Descobri depois de um tempo que ela sofria por não participar da minha vida e por temer que alguém me fizesse mal. Resolvi então que todos os manés da minha vida teriam nome e sobrenome 🙂

Que neste aniversário e neste ano de 2008, possamos ser mais amigas e companheiras.

Toda a felicidade do mundo pra minha prima. Obrigada por ser tão imprescindível na minha vida.

Baci!

Balanço de Ano Velho

Dezembro 31, 2007

É inevitável, né?

Chega essa época do ano e a gente não se conforma se não fizer uma análise às vezes fantasiosa, às vezes nua e crua da realidade que nos cercou nos últimos doze meses. É imprescindível entrar no Novo Ano com o mínimo de mágoas possível e com o máximo de esperança possível.

Hoje fiquei pensando na vida, assim, como se não tivesse nada pra fazer e cheguei a algumas conclusões.

Meu amigo especial me disse que 2007 foi seu ano de purgatório e eu tenho que concordar. O ano que graças a Deus terminará amanhã foi, para mim, de fato, um ano de purgatório.

Digo isso porque 2006 foi certamente um ano inteiro de inferno astral. Como se não bastasse ter mudado de cidade de um dia pro outro, iniciei a Residência de Clínica Médica e me decepcionei muito com pessoas, serviços, Medicina, estudo, trabalho, etc etc etc. Passei por um período brabo de adaptação, larguei empregos em Belém, parei minhas aulas de francês, e, além de ter parido um apêndice, fiquei doente por quase 2 meses e quando já estava me recuperando em todos os sentidos, recebi a bomba da morte do Fabricio.

Estava prestes a mergulhar num processo depressivo muito intenso e importante e no penúltimo dia de 2006, sonhei com meu primo. Era um sonho tão real que não tenho como avaliar se de fato aconteceu mas foi o que me animou para sair de tudo em que eu estava e entrar 2007 da melhor forma que eu poderia naquele momento.

Em 2007, voltei pra academia mas logo em seguida perdi minha vovó. Entrei em estado de mal asmático seguido de pneumonia atípica e depois uma crise básica de ansiedade mas não posso deixar de comemorar as minhas vitórias.

Se em 2006 decidi qual subespecialidade seguir, em 2007 consolidei o desejo e a vontade. Viajei muito, aprendi mais ainda, dei continuidade à Residência, iniciei uma pós-graduação, mudei de casa, cortei o cabelo, fiz novos amigos e consolidei as velhas amizades.

Em 2007 eu me apaixonei, me decepcionei, mas preferi me iludir e continuar apaixonada porque isso siginifica estar viva.

Em 2007, saí meio que a contra-gosto da minha zona de conforto e estou agora mais frágil, porém mais sensível também.

Conheci minha irmã e tantas pessoas maravilhosas. Descobri que posso ainda mais.

Que 2008 seja o ano do paraíso!

Baci!

Cortar o Tempo

(Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

DAM – Dispositivo Anti-Mãe

Dezembro 27, 2007

Antes que vocês me chamem de insensível (na verdade não tenho verdadeira ciência do meu grau de sensibilidade mas este não é o caso), gostaria de dizer que amo muito a minha mãe.

Ela tem algumas excentricidades (apesar de não ser rica e, portanto, suas excentricidades deveriam ser chamadas de doidices mesmo) mas é muito amorosa, honesta, companheira, coruja e se doa integralmente a mim. Confesso até que ultimamente acho que ela está vivendo a minha vida e não a dela, mas tudo bem.

O fato é que já sonhei várias vezes em inventar algo revolucionário que seria o DAM – Dispositivo Anti-Mãe.

Pensei em vários tipos de instrumentos, como mordaças até teletransportadores, mas cheguei à conclusão de que o ideal seria um controle remoto. Sim. Controle Remoto!

Funcionaria da seguinte maneira: quando ela começasse a reclamar da sua bagunça, dos seus livros espalhados, do seu excesso de roupas e/ou de seu descontrole financeiro, você apertaria um do magníficos botões inclusos no pacote e teria acesso à previsão do tempo, a clipes de música ou até mesmo a célebres frases de seus filmes preferidos com interpretação e tradução simultânea. Claro que uma super TV de LCD de 42 polegadas tem que acompanhar o dispositivo.

Se você estivesse sofrendo por um amor não correspondido, ao invés de sua querida mamãe lhe criticar e dizer que seu namorado é um cachorro, você apertaria mais um fantástico botão da engenhoca e ela passaria a dar conselhos de renomados psicólogos.

Haveria também a possibilidade de você acionar um canal de culinária, o que a faria cozinhar as maiores delícias para você todos os dias e quando ela começasse a reclamar que você engordou, que está obesa, horrenda e que ninguém vai te querer, você acionaria mais um botão e iniciaria o programa de exercício com um personal trainer e tudo, sem se esqueer da trilha sonora, sempre antenada no que há de mais moderno em termos de gym music.

Não posso me esquecer do canal de compras, ligado 24 horas por dia, no caso de precisarmos de companhia para umas comprinhas básicas.

Ah! Mas o principal botão do dispositivo seria a tecla MUTE. Quando você simplesmente não quisesse mais discutir nem argumentar, nem se distrair com programação nenhuma, bastaria uma tecla mute.

Eu compraria o DAM, sem medo de ser feliz, de preferência quando estivesse próximo de datas festivas, como o Natal, momento em que a minha mãe mais me estressa. Será que o Submarino venderia???

Feliz Natal atrasado e que em 2008 tenhamos realizações pessoais, profissionais, amorosas, financeiras e sejamos extrema e absurdamente felizes!

Baci!

Da Minha Irmã

Novembro 20, 2007

Sou filha única, de mãe solteira, criada por mãe, avó coruja e tias.

Na verdade, meus pais se separaram quando eu tinha 03 anos e apesar de ser chamada eternamente como “meu xodó” e “my life” pelo meu pai e de receber cartões esporádicos dele escritos “do seu e sempre seu”, sempre foi com minha mãe, minha avó e tias Aurea, Beth e Yeda com quem pude contar.

Já comentei anteriormente que sempre fui extremamente mimada não apenas por todas as supracitadas mas também pelos meus tios, primos, professores, vizinhos, amigos, gato, cachorro, papagaio e periquito. E olha que nem sou tão meiga nem tão sensível assim mas acho que sempre rolou um certo sentimento de pena em relação à “menininha que vê o pai de 7 em 7 anos e nunca tem notícias dele nos intervalos”.

O fato é que passei por todas as fases, desde fantasiar que conversava com meu pai todos os dias até a fase de não tolerar sequer ouvir o nome dele, querer trocar de sobrenome e detestar sempre que me diziam que me pareço com ele. Eu já passei Natais grudada no telefone esperando por um telefonema e já passei aniversários sem querer sair de casa porque achava que ele poderia chegar a qualquer momento, coisa que jamais aconteceu.

Hoje ainda guardo certa mágoa porque acredito que minha vida teria sido melhor com uma figura paterna ao meu lado, mas também entendo que se ELE estivesse ao meu lado, provavelmente não teria sido nem um terço de tudo que eu imaginei que pudesse ser.

Sempre soube que tinha uma irmã. Certa vez, quando a minha avó paterna ainda era viva, fui a sua casa perto do Natal e vi uma pequena árvore com muitos bilhetes no lugar das bolas natalinas com vários nomes. Rapidamente achei o meu e dos meus primos que eu conhecia, mas achei um que me era totalmente desconhecido. Eu devia ter uns 08 anos. “Symone”.

“Quem é Symone, Vovó?”

“Symone é a tua irmã que mora no Rio”.

Minha irmã pra mim era um nome.

Soube mais tarde que antes de se casar com a minha mãe, meu pai achou uma primeira corajosa que se casou com ele, mas como ele já não era bom filho (como dizia minha avó Pascoa), jamais foi nem um bom marido nem um bom pai, a primeira corajosa teve mais coragem ainda e se separou dele pouco depois de ter tido uma filha e se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

Uma das coisas mais bizarras é que minhas lembranças da primeira infância me remetem ao meu pai. Era ele quem brincava comigo, me ensinou a jogar dominó e eu tinha um afeto tão grande por ele que demorei a entender que o problema dele não me procurar nunca, não era comigo. Ora, se tínhamos uma família que eu julgava feliz,  minha mãe me repreendia porque não me amava e meu pai que não apenas não me repreendia, como fazia todas as minhas vontades e ainda brincava comigo era a pessoa que mais me amava no mundo! Como fazer uma criança perceber que quem ama, educa?

Quem ama, está ao lado em todos os momentos bons, mas principalmnete nos ruins. Quem ama, não desampara. Quem ama, protege mas também não sufoca.

Em abril ou maio de 2007, quando eu ainda estava tentando me recuperar dos choques que recebi no fim de 2006 e fevereiro de 2007, fui abordada no Orkut pela Symone. Sim, minha irmã, filha do primeiro casamento do meu pai.

Confesso que inicialmente minha reação foi de desconfiança. Como assim? Depois de tantos anos? Se ela sempre soube que eu existia, por que nunca me procurou mas está me procurando agora?

O fato é que resolvi abrir a guarda e conhecê-la e ela me contou as coisas mais estapafúrdias e desconhecidas por mim, como o fato de só ter visto nosso pai uma única vez quando ela tinha uns 05 anos e de só ter sabido da minha existência uns 04 aos antes.

Começamos a conversar pelo MSN e por e-mail e nos aproximamos cada vez mais até que precisei ir ao Rio para fazer uma prova e nos conhecemos pesoalmente.

Acho que não consigo achar palavras pra definir a emoção de achar alguém que divide 50% da carga genética com você e que era até bem pouco tempo antes, uma desconhecida.

Além das semelhanças físicas, que não temos como evitar, as afinidades e os gostos são absurdamente parecidos e inegáveis, irrevogáveis. É como se estivesse encontrando tardiamente alguém que sempre esteve destinada a ser minha melhor amiga.

Hoje eu continuo me considerando filha única, mas uma filha única com uma irmã maravilhosa que me enche de orgulho e que me faz desejar conhecê-la cada vez mais.

Quanto a meu pai, apenas lamento que ele não faça parte da vida de pessoas felizes, amadas e verdadeiras como nós.