Mudanças

Janeiro 23, 2011

E quando eu penso que tudo tomou seu lugar…

Lá vem a vida, a tão famosa vida, e muda tudo de novo de cabeça pra baixo….

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Telefone

Março 17, 2008

Sou ansiosa patológica, do tipo diagnosticada por psiquiatra e com prescrição de medicamento e indicação de psicoterapia.

Durante muito tempo, achei que minha ansiedade fosse dentro dos limites da normalidade.

Quando meus cabelos começaram a cair vertiginosamente e eu não estava conseguindo dar um rumo na minha vida, percebi que a ansiedade dentro dos limites da normalidade, estava me prejudicando e deixando de ser fisiológica, para ser patológica.

Mas poucas coisas na face da Terra me deixam mais ansiosa do que um telefone celular!

Quando eu era criança e mamãe trabalhava num Banco, ouvia de minha vó que jamais deveria incomodar minha mãe no trabalho, a não ser que fosse algo muito, muito sério. Todos os meu acidentes escolares, doenças, pitis e machucados eram resolvidos pela minha avó, em nome da concentração e da paz para que mamãe pudesse trabalhar bem e sem intercorrências.

Quando os primeiros celulares surgiram, eu ainda estava na escola e eles eram caríssimos, horrorosos e super pesados. Impregnei a vida da minha mãe pra que ela me desse um só meu e não apenas me desse o dela de vez em quando.

Não demorou muito pra que ela cedesse aos meus apelos, mas eu nem imaginava que o “sonho” viraria pesadelo.

Eu sou completamente viciada em telefone celular!! Tenho crises histéricas quando a bateria acaba, fico desesperada quando o telefone toca e não me conformo enquanto não compro o mais moderno, bonito, pequeno e com mais recursos.

Mas de todas as coisas que mais me irritam, nada, ABSOLUTAMENTE NADA me irrita mais do que ligar pra alguém e este alguém não me atender. Eu só falto ter um ataque histérico se essa pessoa demorar muito tempo pra me retornar, não importando se ela está dormindo, tomando banho, deixou o celular em casa ou foi abduzida. Chego a um absurdo tal, de ligar insistentemente umas 5 vezes seguidas, o que acho o cúmulo, mas também é muito difícil de controlar.

Minha mãe, aquela mesma que eu não podia ligar para o trabalho dela pra não incomodá-la, às vezes me liga nas horas mais impróprias, quando estou atendendo pacientes, examinando ou até mesmo fazendo reanimação cardiopulmonar e igualmente não se conforma se eu não a atender. Se ela julgar necessário, repete a chamada mais de 10 vezes, mesmo tendo plena consciência de que estou no meu horário de trabalho.

Vejam só! Tantas coisas pra herdar dela e eu fui “escolher” logo o desespero por celular!

Ora, Genética, faça-me o favor!

Baci!

Pra que despedidas?

Fevereiro 21, 2008

Aconteceu assim: um gaúcho apareceu repentinamente em terras tucujus e conheceu todos os meus amigos e se integrou “ao grupo”. Quando já estávamos adaptados ao seu jeito pimbudo de ser, ele precisou sair das terras tucujus para buscar novos caminhos e novos horizontes.

A convivência foi de poucas semanas mas tudo aconteceu numa intensidade tão impressionante que já o considerávamos como “membro da equipe”. Nessas poucas semanas, um pouco de tudo aconteceu: farras, passeios, doenças, gargalhadas e papos cabeça.

No dia de sua partida, eu estaria de plantão. Então, na véspera, falei com ele pelo MSN e desejei felicidades. Ele me garantiu que não viajaria sem se despedir de mim, mandando uma mensagem que me deixou enternecida (não, eu não sou meiga assim mas a mensagem tava muito bonita mesmo) mas nem sempre as coisas acontecem conforme a nossa vontade, então ele partiu sem se despedir.

Assim, deixei um testimonial no orkut pra ele porque fiquei pensando em despedidas…

Pra que despedidas?
Pra que despedidas se cada pessoa que passa pela nossa vida deixa um pouco de si e leva, mesmo que sem querer, um pouco de nós?
Pra que despedidas se quando nos aproximamos de alguém e deixamos que este alguem faça parte de nosso dia-a-dia (almoços, farras, passeios, doenças, papos cabeça, conselhos, etc.), percebemos subitamente que o Universo se modificou para que aquela pessoa lá entrasse?
Pra que despedidas se quando a amizade é verdadeira, só existe “até logo”?

Pensei, então, em vários tipos de despedidas. Desde os “tchaus” até os “até nunca mais” que, na maioria das vezes, nem imaginamos que irão acontecer. Claro que pensei também no famoso texto do Chaplin que diz que cada pessoa que passa pela nossa vida passa sozinha mas deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

O fato é que despedidas são momentos tristes de um sofrimento muitas vezes desnecessário, já que estamos neste mundo para interagir, mas podem ser também momentos de extremo crescimento pessoal.

Quando me despedi da minha mãe e dos meus amigos para morar em São Paulo, pensei que estava fazendo um negoção. Ledo engano. Estava na verdade cavando uma forma de voltar pra casa, mesmo inconscientemente e isso me fez amadurecer muito.

Quando me despedi de São Paulo para voltar pra Belém, achei que estava sendo a pior das losers. Ledo engano. Estava na verdade reescrevendo a minha história.

Quando disse “até logo” para Belém e vim morar em Macapá, julguei que passaria aqui apenas uma chuva, que não faria amigos, que não amadureceria mais e que voltaria correndo pra Belém, ao final dos 2 anos. Há cerca de 2 semanas, eu disse “olá” pra Macapá e percebi que já aprendi muito aqui, que já me encantei com muitas coisas da terra, que aqui encontrei amigos fantásticos que não encontraria em outro lugar, que apesar de minhas raízes paraoaras, eu posso e sou muito feliz aqui em terras tucujus.

Pra que despedidas?

Guardo com saudades todo mundo que me fez e faz bem. Sempre. Assim como lugares, cheiros, emoções.

Baci!

Uma década

Janeiro 29, 2008

Direto do túnel do tempo, gostaria de informar-lhes que há exatos 10 anos eu passei no vestibular da Universidade Federal do Pará, no curso de Medicina.

Como já falei anteriormente, na época do vestibular acredito que tenha curtido mais o prêmio do que a conquista em si, mas é impossível não perceber como aquele dia fez minha vida seguir um rumo totalmente único e que definiu os 10 anos seguintes e, muito provavelmente, todos os outros que ainda me for possível viver.

Há 10 anos, eu pensava em ser cirurgiã, achava que médicos usavam branco e faziam garranchos. Eu achava que me casaria com meu namorado da época, que teria uma penca de filhos e que teria uma família de comercial de margarina.

Nesses 10 anos, já fiz de tudo um pouco e fui decidindo meus caminhos com o tempo. A única coisa constante é a tal da Medicina.

Parabéns pra mim!

Baci!

Descobertas

Janeiro 26, 2008

Só para variar um pouquinho, estou escrevendo este post durante um plantão.

Claro que meus plantões não são sempre calmos e traqüilos. Se assim os fossem, eu não estaria escrevendo este post de madrugada. Pelo menos hoje não me transformei numa espécie de Jack Bauer e não estou na escravidão por 24 horas. São apenas 12 horas que me separam da liberdade.

Esse lance de escrever em blog é interessante. Acho que os maiores beneficiados somos nós mesmos, porque a partir do momento em que a gente começa a pensar no assunto pra escrever (redigir seria mais adequado), a gente começa a se questionar sobre muitas coisas além do assunto. Lembranças, fatos, opiniões, gostos, etc.

E foi assim, num dia qualquer que fiz algumas descobertas importantes sobre mim.

Descoberta número 01: Eu adoro tomar banho.

Mas veja bem. Não é um banho qualquer. Meu dia se torna mais feliz de acordo com o número crescente de banhos que tomo e não são banhos “checos”. Meu banho só se torna maravilhoso (meu amigo especial adora que eu comente isso) se além dos básicos shampoo e condicionador, houver sabonete em barra, sabonete hidratante, esfoliante corporal e óleo de banho. Agora eu deixo vocês me imaginarem morando na França. Já imaginaram??? Pois é. Eu seria deportada com menos de 01 mês daquele país por desperdício de recursos hídricos! Quase um crime digno de prisão perpétua ou cadeira elétrica!

Sempre me achei apenas limpinha e cheirosa, mas percebi que fico muito contente quando experimento cremes novos e fragrâncias novas, o que acabou se revelando uma compulsão já que posso ir ao supermercado só pra comprar pão, queijo e presunto, mas sempre volto com pelo menos um creminho e/ou um esfoliantezinho de “brinde”.

Descoberta número 02: Eu sou uma farsa

Vejam bem. Eu sou uma jovem (nem tão jovem assim, mas tá valendo) médica, independente, que mora só, numa cidade distante da família alguns muitos kilômetros, dois aeroportos e um rio gigantesco e passo a idéia de que tudo posso, tudo sei, tudo aconteço.

Mas o que poucas pessoas (bem poucas por sinal) sabem é que por baixo de tudo isso, resta uma menininha quase indefesa, super insegura, morrendo de medo de fazer tudo errado. Tenho pavor da hipótese de rejeição e sou super carente. Pronto, falei.

Tenho medo de errar, de descobrir que os caminhos que eu acho que escolhi são errados ou menos certos do que os que eu deveria seguir.

Tenho medo de “pirar o cabeção”, de me atirar na profissão como única tábua de salvação, de abdicar da minha vida pessoal em prol de um protótipo de “médica-jovem-bem-sucedida-independente-sabe-tudo”.

Enfim, em muitos momentos não sou nada mais do que um cachorrinho assustado.

Descoberta número 03: Eu sou sensível

Dentre as várias certezas que eu sempre tive, há uma em especial: além de me achar super capaz de fazer qualquer coisa, sempre me achei uma fortaleza impenetrável, alguém forte, objetiva, sem tempos para sentimentalismos baratos e histórias de revista pra mulherzinha.

Ledo engano.

Sou uma manteiga derretida que se magoa até quando alguém não dá bom dia. Sou uma besta que se apaixona por filmes românticos  água com açúcar e fica imaginando quando uma daquelas histórias vai acontecer consigo. Sou quase uma Lisbela. 🙂

Baci!

Acredito que qualquer pessoa que tenha lido as abobrinhas que escrevo neste Blog já percebeu o que nem eu mesma já havia percebido: Sou uma otimista incorrigível!

Isso mesmo. Pronto, falei.

E mesmo que eu não seja otimista do tipo que acha que tudo está bom, eu sempre acho que tudo pode melhorar e que não há coisa ruim que não possa piorar, isto significa que mesmo que algo esteja muito ruim, acredito que poderia estar pior e isso me conforta.

Ah! Eu acredito também em “Laws of attraction”, pensamento positivo e todas as outras coisas que minha mãe, uma verdadeira Poliana, fez o favor de me ensinar ao longo dos anos.

Não comentei aqui mas mudei de apartamento na semana que passou. Fui pra um maior, mais espaçoso, mais organizado, mobiliado, melhor localizado e muito muito mais bonito.

O que era pra ter sido a melhor mudança da minha vida quase se trasforma no pior dos meus pesadelos.

É assim: O apartamento é quase todinho mobiliado, mas eu precisava comprar um ar condicionado (artigo de primeiríssima necessidade pra qualquer Paraoara) e uma cama (artigo de zeríssima necessidade para qualquer pessoa que se preze)

Descobri da pior forma possível que sou a mais entulheira das pessoas. Eu passei exatamente 1 ano morando num apartamento-apertamento e consegui reunir mais bregueços do que muitas famílias juntas. Conclusão??? Minha mudança que deveria ter consumido apenas uns dois dias, tornou-se uma aventura sem precedentes e ainda não acabou!

Como tenho até o dia 31 pra sair do antigo apertamento, decidi me mudar aos poucos, mas quando a cama e o ar condicionado chegaram, achei que seria mais prudente passar a dormir no apartamento novo, por todos os motivos listados acima.

No exato dia em qua a cama chegou, percebi que umas 08 lajotas justamente do meu quarto resolveram brigar entre elas e formar um “espaço morto”, o que fez com que elas se quebrassem sem nenhum motivo aparente. Dormi na minha cama box liiiiiiiiiiiiiiiiiiinda de casal (lindas ambas 🙂 – a cama e eu), mas percebi durante a noite que o ar condicionado digamos que servisse de circulador de ar (????????). Não bastando isso, percebi no dia seguinte, ao demorar horrores para acordar do meu sono de princesa (cof! cof!) que há uma “certa umidade” no chão do meu quarto.

Ok. Vida que segue. Passei o dia todo trabalhando e quando volto ao meu novo doce lar para dormir, o ar condicionado continua “circulando” e, pior, durante uma chuva torrencial, noto ainda que chove dentro do meu quarto. Isso mesmo!!!! CHOVE DENTRO DO MEU QUARTO.

Mas o sono foi maior. O meu sono sempre é maior do que qualquer coisa.

Quando acordei no dia seguinte, ao pisar  no chão já com algumas lajotas a menos, noto UMA POÇA D’ÁGUA. Isso mesmo. Uma poça d’água lindamente conjugada à minha cama box novinha e liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda. Fui até a outra janela do meu quarto e percebo UMA OUTRA POÇA D’ÁGUA só que desta vez conjugada aos meus sapatos!!!!!!!!!!!!!!!! Isso mesmo!!! Uma outra poça d’água conjugada aos meus sapatos!

Fui até a sala que é conjugada à cozinha e olho para a outra janela e duvido que vocês adivinhem o que achei lá!!! UMA NOVA POÇA D’ÁGUA conjugada às caixas dos meus livros.

Não sei se foi o sono, o otimismo ou uma loucura repentina. Só para explicar o quanto sou apaixonada por livros, vale contar que meu Neurologista certa vez perdeu quase todos os seus livros porque na sua clínica houve um vazamento do cano da Ressonância Magnética que, não por acaso, passava bem em cima do seu consultório e todos os livros, eu disse TODOS OS LIVROS dele que estavam lindamente expostos nas prateleiras, ficaram estragados. Adivinhem o que eu fiz ao saber disso???? Chorei compulsivamente na frente dele. Graças a Deus ele não me mandou direto para o Psiquiatra.

O fato é que ao perceber que as poças conjugadas não tinham feito tanto estrago assim e tanto a minha cama box de casal (liiiiiiiiiiiiiinda) quanto meus sapatos e meus livros estavam intactos, eu não dei escândalo nenhum e só chamei o dono do imóvel pra que resolvesse o problema.

Percebam que o imóvel que era maior, mais espaçoso, mais organizado, mobiliado, melhor localizado e muito muito mais bonito se tornou um imóvel com lajotas futuantes, ar condicionado que só ventila e que chove dentro!!!

Na sexta-feira, entreguei a chave para o dono resolver as broncas todas com uma calma que surpreendeu a mim mesma e fui liiiiiiiiiinda dormir na casa da Lucélia, minha amiga e companheira de almoços animados 🙂

Ao acordar, fui direto para o plantão de 24 horas. Sim, às vezes eu sou uma espécie de Jack Bauer e tenho apenas 24 horas para resolver todas as broncas do mundo!

Quando cheguei ao plantão, compreendi porque depois da tempestade vem a bonança (para os otimistas, é claro).

Meu dia começou com um scrap no Orkut me informando que alguém totalmente desconhecido por mim, chegou a este Blog por meios totalmente desconhecidos por mim, leu o que escrevo e se identificou!! Isso foi algo maravilhoso e sem precedentes.

Depois disso, falei com minha amiga Kiara sobre meus projetos para Abril e descobri que estão todos muito bem encaminhados.

Mais tarde, fui elogiada por um paciente que eu já havia atendido quase 01 ano atrás e ele se mostrou muito feliz por eu tê-lo atendido novamente.

Saí do plantão por cerca de 5 minutos para comprar o meu almoço num restaurante self-service de perto do Hospital (deixando outro médico no meu lugar, que fique bem claro) e fui cumprimentada desde o porteiro do restaurante até o caixa.

Tive a felicidade de confirmar um diagnóstico  difícil.

Kiara me elogiou como escritora (acho que blogueira seria mais adequado).

Recebi a notícia de que meu amigo está completamente apaixonado meeeeeeeeeeeesmo e dei  o maior apoio.

Ouvi de um amigo meu que sou nova demais e bonita demais  (Cof! Cof!) pra deixar de curtir minha vida

Enfim… Tantas coisas boas aconteceram hoje que chego a ficar com medo.

Depois da tempestade, vem a bonança? Ótimo.

Mas e se depois da bonança a tempestade voltar?

O que será que encontrarei no meu apartamento novo amanhã??? Caos novamente ou a ordem de volta ao Santo Lar de Renata?

Aguardem cenas dos próximos capítulos.

No próximo episódio… Renata terá apenas 24 horas para… Dormir e sonhar que nós moramos no melhor dos mundos possíveis (Cândido ou O Otimismo)

Baci!

Thais

Janeiro 16, 2008

Em janeiro de 1999 decidi que estudaria uma língua estrangeira. Eu já estava no segundo ano da faculdade e já era formada em inglês. Estava tentando sair de um relacionamento fracassado mas estava sendo muito, muito difícil. Pensei em estudar francês, mas o curso era longo demais. Pensei em estudar espanhol mas não fazia idéia de onde seria o melhor curso. Decidi estudar italiano, língua dos meus antepassados nem tão antepassados assim.

Escolhi estudar aos sábados porque não influenciaria nos meus horários muito loucos da faculdade.

No primeiro dia de aula, ao subir as escadas, uma moça com aproximadamente a minha idade pergunta se sou também do primeiro nível. Resposta afirmativa, procuramos nossa sala.

A minha primeira impressão foi de indiferença. Dela, de descaso, quase desprezo. Como ela mesma me disse anos mais tarde, ela me achou muito petulante e metida, além de falar alto e ser esparrenta.

Foi assim que conheci minha melhor amiga.

As aulas de italiano eram semanais. Não tínhamos nenhum contato entre um sábado e outro. Algumas vezes fomos ao shopping, outras vezes conversamos nos intervalos. Nada além disso.

Quanto à minha faculdade, foi seguindo seu rumo. O namoro que estava terminando, de fato terminou, alguns meses depois. Conheci outras pessoas, tentei me refazer da decepção e do costume.

Cerca de um ano depois, um ano e meio, não estou bem certa, foi a vez da Thais terminar um namoro longo e sofrer muito por isso. Eu já tinha passado pelo desespero de viver grudada a uma única pessoa e depois do término não saber sequer ir ao shopping sozinha. Não deixaria que alguém de quem eu já tinha aprendido a gostar passasse pelo mesmo que eu.

E foi assim que passamos a sair todos os finais de semana. Foi assim que conhecemos os amigos da outra e passamos a ir ao cinema aos domingos.

De colegas da aula de italiano, “oriundi”, passamos a ser amigas inseparáveis e eu descobri alguém maravilhoso, que não sei como poderia não fazer parte da minha vida.

Hoje é aniversário da Thais e não tenho nem por onde começar a explicar o quanto a minha amiga é especial.

Perdi a conta de quantas vezes discordamos, de quantas vezes fizemos compras juntas, de quantas vezes sofri pelas escolhas erradas dela e de quantas vezes ela também sofreu pelas minhas escolhas erradas, apesar de saber que ela sempre me achou muito mais segura de mim.

O que desejar pra minha melhor amiga? Tudo de bom???Felicidades? Amor? Sorte? Sucesso? Realizações? Também.

Mas, no meu íntimo egoísta, desejo ainda que ela seja minha amiga eternamente e que eu possa sempre contar com seu ombro pra chorar minhas desilusões e com sua companhia para ser cada dia mais feliz.

Felia aniversário, miguxa!!!

Eu te amo muito!

Baci!

Balanço de Ano Velho

Dezembro 31, 2007

É inevitável, né?

Chega essa época do ano e a gente não se conforma se não fizer uma análise às vezes fantasiosa, às vezes nua e crua da realidade que nos cercou nos últimos doze meses. É imprescindível entrar no Novo Ano com o mínimo de mágoas possível e com o máximo de esperança possível.

Hoje fiquei pensando na vida, assim, como se não tivesse nada pra fazer e cheguei a algumas conclusões.

Meu amigo especial me disse que 2007 foi seu ano de purgatório e eu tenho que concordar. O ano que graças a Deus terminará amanhã foi, para mim, de fato, um ano de purgatório.

Digo isso porque 2006 foi certamente um ano inteiro de inferno astral. Como se não bastasse ter mudado de cidade de um dia pro outro, iniciei a Residência de Clínica Médica e me decepcionei muito com pessoas, serviços, Medicina, estudo, trabalho, etc etc etc. Passei por um período brabo de adaptação, larguei empregos em Belém, parei minhas aulas de francês, e, além de ter parido um apêndice, fiquei doente por quase 2 meses e quando já estava me recuperando em todos os sentidos, recebi a bomba da morte do Fabricio.

Estava prestes a mergulhar num processo depressivo muito intenso e importante e no penúltimo dia de 2006, sonhei com meu primo. Era um sonho tão real que não tenho como avaliar se de fato aconteceu mas foi o que me animou para sair de tudo em que eu estava e entrar 2007 da melhor forma que eu poderia naquele momento.

Em 2007, voltei pra academia mas logo em seguida perdi minha vovó. Entrei em estado de mal asmático seguido de pneumonia atípica e depois uma crise básica de ansiedade mas não posso deixar de comemorar as minhas vitórias.

Se em 2006 decidi qual subespecialidade seguir, em 2007 consolidei o desejo e a vontade. Viajei muito, aprendi mais ainda, dei continuidade à Residência, iniciei uma pós-graduação, mudei de casa, cortei o cabelo, fiz novos amigos e consolidei as velhas amizades.

Em 2007 eu me apaixonei, me decepcionei, mas preferi me iludir e continuar apaixonada porque isso siginifica estar viva.

Em 2007, saí meio que a contra-gosto da minha zona de conforto e estou agora mais frágil, porém mais sensível também.

Conheci minha irmã e tantas pessoas maravilhosas. Descobri que posso ainda mais.

Que 2008 seja o ano do paraíso!

Baci!

Cortar o Tempo

(Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

DAM – Dispositivo Anti-Mãe

Dezembro 27, 2007

Antes que vocês me chamem de insensível (na verdade não tenho verdadeira ciência do meu grau de sensibilidade mas este não é o caso), gostaria de dizer que amo muito a minha mãe.

Ela tem algumas excentricidades (apesar de não ser rica e, portanto, suas excentricidades deveriam ser chamadas de doidices mesmo) mas é muito amorosa, honesta, companheira, coruja e se doa integralmente a mim. Confesso até que ultimamente acho que ela está vivendo a minha vida e não a dela, mas tudo bem.

O fato é que já sonhei várias vezes em inventar algo revolucionário que seria o DAM – Dispositivo Anti-Mãe.

Pensei em vários tipos de instrumentos, como mordaças até teletransportadores, mas cheguei à conclusão de que o ideal seria um controle remoto. Sim. Controle Remoto!

Funcionaria da seguinte maneira: quando ela começasse a reclamar da sua bagunça, dos seus livros espalhados, do seu excesso de roupas e/ou de seu descontrole financeiro, você apertaria um do magníficos botões inclusos no pacote e teria acesso à previsão do tempo, a clipes de música ou até mesmo a célebres frases de seus filmes preferidos com interpretação e tradução simultânea. Claro que uma super TV de LCD de 42 polegadas tem que acompanhar o dispositivo.

Se você estivesse sofrendo por um amor não correspondido, ao invés de sua querida mamãe lhe criticar e dizer que seu namorado é um cachorro, você apertaria mais um fantástico botão da engenhoca e ela passaria a dar conselhos de renomados psicólogos.

Haveria também a possibilidade de você acionar um canal de culinária, o que a faria cozinhar as maiores delícias para você todos os dias e quando ela começasse a reclamar que você engordou, que está obesa, horrenda e que ninguém vai te querer, você acionaria mais um botão e iniciaria o programa de exercício com um personal trainer e tudo, sem se esqueer da trilha sonora, sempre antenada no que há de mais moderno em termos de gym music.

Não posso me esquecer do canal de compras, ligado 24 horas por dia, no caso de precisarmos de companhia para umas comprinhas básicas.

Ah! Mas o principal botão do dispositivo seria a tecla MUTE. Quando você simplesmente não quisesse mais discutir nem argumentar, nem se distrair com programação nenhuma, bastaria uma tecla mute.

Eu compraria o DAM, sem medo de ser feliz, de preferência quando estivesse próximo de datas festivas, como o Natal, momento em que a minha mãe mais me estressa. Será que o Submarino venderia???

Feliz Natal atrasado e que em 2008 tenhamos realizações pessoais, profissionais, amorosas, financeiras e sejamos extrema e absurdamente felizes!

Baci!

Poema em Linha Reta

Novembro 16, 2007

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

(Fernando Pessoa como Álvaro de Campos)

.

Vou contar uma quase infâmia pra vocês. Aliás, contar não é bem o termo. Vou confessar!

Até hoje tive coragem de fazer essa confissão a pouquíssimas pessoas e a Kiara é uma delas.

Lá vai. Eu não gosto de poesias. Pronto, falei.

Assim. Não é que eu as odeie, mas por exemplo, concretismo é uma coisa que não engulo. Palavras sem nexo menos ainda. Acho que sou objetiva demais para ler um poema. Na maioria das vezes ele não me mostra significado algum.

Mas aí acontecem umas coisas estranhas. A gente lê uma poesia e gostaria de tê-la escrito. Num momento súbito, o que o poeta escreveu faz todo o sentido pra gente e é isso que eu sinto quando leio esse Poema em Linha Reta, do Fernando Pessoa.

Confesso que acho estranho um único poeta escolher três pseudônimos diferentes pra escrever suas poesias. Às vezes me parece que ele não escreveu nada e que os três poetas que ele criou são na verdade espíritos que psicografam as poesias pra ele. Mas então ele me vem com uma poesia dessas, que diz absolutamente tudo que eu queria dizer e eu já não sei se ele escreveu, se psicografou ou se comprou pronto. O importante é que tá aí, é lindo e reflete o que eu sinto.

Essa poesia me faz pensar justamente nessa minha característica de não gostar de poesias de um modo geral, coisa quase inconfessável e na mania que as pessoas têm de tentar mostrar uma coisa que não são. Quantas pessoas vocês conhecem que diriam com todas as letras que não gostam de Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Florbela Espanca e tantos outros? Claro que eu também não sou 100% transparente todo o tempo e que a imagem de perfeição é o que se busca. Eu, na verdade busco não só a imagem mas a perfeição em si, mas tenho que admitir que estou longe disso léguas e léguas e léguas e isso me faz humana e me faz me identificar com o poema do Fernando Pessoa (desculpa, tá?). E eu até gosto de um montão de poesias dos citados, menos da Cecília Meireles que acho deprê demais.

Todas as pessoas são perfeitas, certinhas, cultas, pudicas e muito melhores do que eu, reles mortal que não gosta de poesias.

Acho na verdade que não gosto de todas as poesias. Sou uma chata de plataformas (galochas não estão mais na moda!!!) e só gosto do que me interessa e do que me faz feliz.

Às favas com a perfeição, ou melhor, com a falsa imagem de perfeição. Eu não gosto de poesias mas sou feliz e sou sincera. E se gostar de alguma poesia, eu digo que gostei e pronto!

Quando alcançarmos a perfeição moral, não vamos ter que fingir que somos perfeitos.

Beijos e boa viagem pra mim de novo. Depois eu conto minhas novas aventuras