30 anos

Setembro 23, 2010

Tudo bem que este post está meio que muito atrasado, porque, em tese, deveria tê-lo escrito/postado no dia do meu aniversário mas, passados 2 meses e com a idade ainda martelando na minha cabeça, achei justo fazer algumas considerações.

Fazer 30 anos tem um quê de mágico e de mundano ao mesmo tempo, um quê de vitória e de derrota… Como tudo na vida, talvez.

Às vésperas do meu aniversário, entrei numa neura e eu mesma não estendi porque mas conforme os dias foram passando, acho que fui entendendo melhor.

Aos 30 anos, nos deparamos com o final do processo de desenvolvimento. Acho que nos próximos 10 anos, estarei nuam espécie de platô e em seguida, a decadência (posso estar errada e espero estar, mas é assim que me sinto hoje).

Fazer 30 anos tem a ver com o provável “auge” e a gente se pergunta se realmente está no auge ou como estaria aos 30 anos se tivesse feito escolhas diferentes.

Eu poderia ter me casado e hoje ter filhos.

Eu poderia ter escolhido outra profissão e consequentemente, outra vida.

Eu poderia ter continuado onde estava.

Eu poderia ter mudado de continente.

Eu poderia…

Impossível ter a resposta pra tantos questionamentos. O fato é que eu PODERIA, sim. Mas os rumos que tomei me levaram ao lugar onde estou e o que eu POSSO e o que eu QUERO, se misturaram de tal forma que não sei mais onde um começa e onde outro termina.

Pela primeira vez, consegui ver minha mãe, meus tios e as minhas pessoas amadas, envelhecendo e, talvez, preparando-se pra me deixar num período que não temos como precisar. Tudo isso enquanto eu mesma envelheço e amadureço e paro de culpar os outros pelas minhas próprias decisões que são tomadas todos os dias.

Pensar em perdas aos 30 anos depois de eu já ter perdido 2 das pessoas mais amadas da minha vida é até contraditório mas foram situações diversas.

Hoje, aos 30 anos, pela primeira vez tive medo de que minha mãe me deixe e que ela nunca tenha um neto. Pela primeira vez senti medo de envelhecer sozinha. Logo eu que sempre fui tão auto-suficiente…

Devo, certamente, agradecer pela dádiva de viver 30 anos. Tanta gente vive tão menos e conhece tão pouco do mundo, da vida, de tudo que eu amo tanto…

Mas, confesso, esses anos estão pesando… Talvez pelo amadurecimento que, aparentemente, por fim está chegando…

Telefone

Março 17, 2008

Sou ansiosa patológica, do tipo diagnosticada por psiquiatra e com prescrição de medicamento e indicação de psicoterapia.

Durante muito tempo, achei que minha ansiedade fosse dentro dos limites da normalidade.

Quando meus cabelos começaram a cair vertiginosamente e eu não estava conseguindo dar um rumo na minha vida, percebi que a ansiedade dentro dos limites da normalidade, estava me prejudicando e deixando de ser fisiológica, para ser patológica.

Mas poucas coisas na face da Terra me deixam mais ansiosa do que um telefone celular!

Quando eu era criança e mamãe trabalhava num Banco, ouvia de minha vó que jamais deveria incomodar minha mãe no trabalho, a não ser que fosse algo muito, muito sério. Todos os meu acidentes escolares, doenças, pitis e machucados eram resolvidos pela minha avó, em nome da concentração e da paz para que mamãe pudesse trabalhar bem e sem intercorrências.

Quando os primeiros celulares surgiram, eu ainda estava na escola e eles eram caríssimos, horrorosos e super pesados. Impregnei a vida da minha mãe pra que ela me desse um só meu e não apenas me desse o dela de vez em quando.

Não demorou muito pra que ela cedesse aos meus apelos, mas eu nem imaginava que o “sonho” viraria pesadelo.

Eu sou completamente viciada em telefone celular!! Tenho crises histéricas quando a bateria acaba, fico desesperada quando o telefone toca e não me conformo enquanto não compro o mais moderno, bonito, pequeno e com mais recursos.

Mas de todas as coisas que mais me irritam, nada, ABSOLUTAMENTE NADA me irrita mais do que ligar pra alguém e este alguém não me atender. Eu só falto ter um ataque histérico se essa pessoa demorar muito tempo pra me retornar, não importando se ela está dormindo, tomando banho, deixou o celular em casa ou foi abduzida. Chego a um absurdo tal, de ligar insistentemente umas 5 vezes seguidas, o que acho o cúmulo, mas também é muito difícil de controlar.

Minha mãe, aquela mesma que eu não podia ligar para o trabalho dela pra não incomodá-la, às vezes me liga nas horas mais impróprias, quando estou atendendo pacientes, examinando ou até mesmo fazendo reanimação cardiopulmonar e igualmente não se conforma se eu não a atender. Se ela julgar necessário, repete a chamada mais de 10 vezes, mesmo tendo plena consciência de que estou no meu horário de trabalho.

Vejam só! Tantas coisas pra herdar dela e eu fui “escolher” logo o desespero por celular!

Ora, Genética, faça-me o favor!

Baci!