O Julgamento do Monstro

Novembro 11, 2009

Falar de um julgamento não sendo da área e sendo envolvida diretamente no caso pode soar leviano. Entretanto, tenho certeza de que nada que eu escrever aqui vai faltar com a verdade, mas precisava ser dito ou pelo menos me sinto melhor ao saber que está digitado e , de certa forma, documentado.

Meu primo-irmão foi assassinado há quase 3 anos. Fabricio Ramos Couto era Promotor de Justiça da Comarca de Marapanim (Município do interior do Pará). Lindo, inteligente, brilhante, bom filho, alegre, encantador, humano. Foi assassinado covardemente dentro da sua sala, em pleno exercício da profissão, numa manhã de sexta que eu preferiria que jamais tivesse acontecido.

Seu assassino não era um desconhecido, um ladrão que mata pra comer, um ignorante ou sequer um oligofrênico. Ele já conhecia seu assassino há mais de 10 anos e o covarde que não titubeou em atirar 6 vezes no meu primo a queima-roupa num ato premeditado há pelo menos 2 dias era nada mais nada menos que um advogado.

Li na imprensa que esse monstro não deveria ser chamado de advogado e sim de bandido com carteira da OAB, mas posso afirmar que como familiar, a denominação é o que menos importa. Na verdade, ao longo desses anos, eu sequer achei denominação pra ele.

Durante algum tempo, o antigo celular do meu primo ficou nas minhas mãos, pra que eu pudesse atender ligações e não passá-las para meus primos e tios que estavam em situação muito pior do que todos nós. Dentre os inúmeros contatos de familiares, amigos, pessoas queridas, estava também o telefone do monstro que o matou. Ironia, não?

À época, a declaração do monstro em questão foi: “Matei e não me arrependo. Eu escolhi ficar preso e ele morto. Porque de onde ele está, ele não sai mais e eu daqui a pouco estou livre”.

O nome do monstro é João Bosco Guimarães. Confesso que não me interessei por saber muito da vida dele, por auto-defesa, covardia ou por qualquer outra causa que algum psicólogo queira interpretar mas que eu não me interesso em discutir neste momento.

O julgamento foi adiado e protelado várias vezes. O réu, como era esperado, alegou “insanidade mental” e muito tempo foi perdido tentando provar a verdade da sanidade ou não. A autoria do crime não apenas não havia como ser discutida porque ele foi preso em flagrante como foi confessada e alardeada como apenas um cretino mau caráter poderia fazer. Apenas alguém mau em sua essência poderia se orgulhar de um crime tão bárbaro.

A discussão é: Como alguém pode advogar livremente durante anos até o dia 23 de novembro de 2006, circular, pagar contas, frequentar lugares públicos, bares, colégios, faculdades e etc. e ser considerado como normal e aí, no dia 24 de Novembro de 2006 se transformar em “louco”?

Como alguém pode ter uma pena abrandada por ser psicopata se todos os autores, psiquiatras e livros de psiquiatria forense confirmam que não há tratamento para a Psicopatia e o psicopata quando solto, invariavelmente volta a agir, com os mesmos requintes de crueldade de sempre?

Como pode haver defesa no sentido mais amplo da palavra pra alguém que mata, não mostra sentimento de culpa ou arrependimento e mesmo assim planeja circular livremente em liberdade enquanto meu primo está morto, como ele mesmo falou?

Como sequer cogitar doença mental e colocar um indivíduo desses no mesmo patamar de esquizofrênicos, oligofrênicos, alcóolatras? Quantos esquizofrênicos vocês conhecem que já mataram? Ou se mataram, quantos premeditaram o crime?

Amanhã será o dia de enfrentar tudo de novo. Será o dia de ficar frente a frente com o assassino do meu primo-irmão. Alguém com um poder tão destruidor que matou meu primo, e uma parte de cada um de nós e ainda foi o responsável pela morte da minha avó que morreu 2 meses depois por não aceitar que seu neto estivesse morto de forma tão brutal.

Que Deus ilumine os Jurados, os Promotores e o Juiz. Que a Justiça seja feita. Porque se a minha família ele já destruiu, que as outras ele não consiga atingir!

 

 

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