Vanessa

Janeiro 4, 2008

Janeiro está longe de ser meu mês preferido, mas nele posso incluir os aniversários de algumas das pessoas mais importantes da minha vida.

Vanessa é minha prima-irmã. Não. Vanessa é muito muito mais que isso.

Vanessa é a personificação da minha família.

Quando éramos crianças, ela me tratava como mãe. Na nossa infãncia remota ela, que é 3 anos mais velha que eu, não costumava brincar comigo.

Recordo com carinho do dia em que nos aproximamos. Eu tinha uns 7 ou 8 anos e morava na casa da vovó junto com minha mãe. Não sei se meus tios tinham ido a alguma festa ou se estavam viajando, só lembro que Vanessa foi dormir na minha casa. As salas grandes da casa da vovó estavam sendo reformadas e os móveis não estavam lá. Tudo que tínhamos eram 2 salas conjugadas e todo o espaço pra nossa imaginação. Brincamos até não agüentarmos mais e desde então passei a ir a sua casa todos os finais de semana.

Meus tios moravam a umas 5 quadras da minha casa e nós fizemos de tudo um pouco juntas. Andamos de bicicleta, inventamos jogos, fomos acionistas da bolsa de valores, leiloeiras de arte, detetives, jogaoras de futebol, patinadoras, bailarinas, atrizes, corredoras de fórmula 1.

Assistimos aos mais variados filmes. Lemos os mais variados livros. Contamos os mais variados segredos uma pra outra.

Com Vanessa aprendi o que é cuidar e ser cuidada, a amar e ser amada. Aprendi o que é ter uma irmã.

Não tenho como quantificar tudo que ela já fez por mim, nem o medo que sinto dela até hoje quando sei que fiz algo que a desapontaria, assim como não tenho como quantificar o orgulho que sinto dela e que eu sei que ela sente de mim.

Não há pessoa no mundo em quem eu confie mais. Não há pessoa no mundo que eu deseje mais bem. Não há pessoa no mundo que me entenda e queira o meu bem como ela.

Lembro que uma vez falei pra ela que em hebraico “prima” e “irmã” eram uma palavra só. Ela rebateu dizendo que isso se devia certamente a uma pobreza extrema da língua. Mas o significado é exatamente igual para nós. Talvez se fôssemos irmãs de verdade, não seríamos tão amigas.

Estamos unidas pelo amor de irmãs, mas também pela dor. Nós duas sabemos o que é perder um irmão, que não por acaso era o irmão dela e meu primo.

Certa vez, na adolescência, perguntei a Vanessa se continuaríamos tão amigas durante a vida adulta e ela me disse que com certeza sim. Que os programas seriam a diferença. Ao invés de irmos ao shopping ou ao restaurante, marcaríamos de levar nossos filhos à praça🙂

Nunca falei de meus amores pra Vanessa. Achava que ela tomaria minhas dores e sofreria junto comigo. Descobri depois de um tempo que ela sofria por não participar da minha vida e por temer que alguém me fizesse mal. Resolvi então que todos os manés da minha vida teriam nome e sobrenome🙂

Que neste aniversário e neste ano de 2008, possamos ser mais amigas e companheiras.

Toda a felicidade do mundo pra minha prima. Obrigada por ser tão imprescindível na minha vida.

Baci!

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