Uma década

Janeiro 29, 2008

Direto do túnel do tempo, gostaria de informar-lhes que há exatos 10 anos eu passei no vestibular da Universidade Federal do Pará, no curso de Medicina.

Como já falei anteriormente, na época do vestibular acredito que tenha curtido mais o prêmio do que a conquista em si, mas é impossível não perceber como aquele dia fez minha vida seguir um rumo totalmente único e que definiu os 10 anos seguintes e, muito provavelmente, todos os outros que ainda me for possível viver.

Há 10 anos, eu pensava em ser cirurgiã, achava que médicos usavam branco e faziam garranchos. Eu achava que me casaria com meu namorado da época, que teria uma penca de filhos e que teria uma família de comercial de margarina.

Nesses 10 anos, já fiz de tudo um pouco e fui decidindo meus caminhos com o tempo. A única coisa constante é a tal da Medicina.

Parabéns pra mim!

Baci!

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Descobertas

Janeiro 26, 2008

Só para variar um pouquinho, estou escrevendo este post durante um plantão.

Claro que meus plantões não são sempre calmos e traqüilos. Se assim os fossem, eu não estaria escrevendo este post de madrugada. Pelo menos hoje não me transformei numa espécie de Jack Bauer e não estou na escravidão por 24 horas. São apenas 12 horas que me separam da liberdade.

Esse lance de escrever em blog é interessante. Acho que os maiores beneficiados somos nós mesmos, porque a partir do momento em que a gente começa a pensar no assunto pra escrever (redigir seria mais adequado), a gente começa a se questionar sobre muitas coisas além do assunto. Lembranças, fatos, opiniões, gostos, etc.

E foi assim, num dia qualquer que fiz algumas descobertas importantes sobre mim.

Descoberta número 01: Eu adoro tomar banho.

Mas veja bem. Não é um banho qualquer. Meu dia se torna mais feliz de acordo com o número crescente de banhos que tomo e não são banhos “checos”. Meu banho só se torna maravilhoso (meu amigo especial adora que eu comente isso) se além dos básicos shampoo e condicionador, houver sabonete em barra, sabonete hidratante, esfoliante corporal e óleo de banho. Agora eu deixo vocês me imaginarem morando na França. Já imaginaram??? Pois é. Eu seria deportada com menos de 01 mês daquele país por desperdício de recursos hídricos! Quase um crime digno de prisão perpétua ou cadeira elétrica!

Sempre me achei apenas limpinha e cheirosa, mas percebi que fico muito contente quando experimento cremes novos e fragrâncias novas, o que acabou se revelando uma compulsão já que posso ir ao supermercado só pra comprar pão, queijo e presunto, mas sempre volto com pelo menos um creminho e/ou um esfoliantezinho de “brinde”.

Descoberta número 02: Eu sou uma farsa

Vejam bem. Eu sou uma jovem (nem tão jovem assim, mas tá valendo) médica, independente, que mora só, numa cidade distante da família alguns muitos kilômetros, dois aeroportos e um rio gigantesco e passo a idéia de que tudo posso, tudo sei, tudo aconteço.

Mas o que poucas pessoas (bem poucas por sinal) sabem é que por baixo de tudo isso, resta uma menininha quase indefesa, super insegura, morrendo de medo de fazer tudo errado. Tenho pavor da hipótese de rejeição e sou super carente. Pronto, falei.

Tenho medo de errar, de descobrir que os caminhos que eu acho que escolhi são errados ou menos certos do que os que eu deveria seguir.

Tenho medo de “pirar o cabeção”, de me atirar na profissão como única tábua de salvação, de abdicar da minha vida pessoal em prol de um protótipo de “médica-jovem-bem-sucedida-independente-sabe-tudo”.

Enfim, em muitos momentos não sou nada mais do que um cachorrinho assustado.

Descoberta número 03: Eu sou sensível

Dentre as várias certezas que eu sempre tive, há uma em especial: além de me achar super capaz de fazer qualquer coisa, sempre me achei uma fortaleza impenetrável, alguém forte, objetiva, sem tempos para sentimentalismos baratos e histórias de revista pra mulherzinha.

Ledo engano.

Sou uma manteiga derretida que se magoa até quando alguém não dá bom dia. Sou uma besta que se apaixona por filmes românticos  água com açúcar e fica imaginando quando uma daquelas histórias vai acontecer consigo. Sou quase uma Lisbela. 🙂

Baci!

Acredito que qualquer pessoa que tenha lido as abobrinhas que escrevo neste Blog já percebeu o que nem eu mesma já havia percebido: Sou uma otimista incorrigível!

Isso mesmo. Pronto, falei.

E mesmo que eu não seja otimista do tipo que acha que tudo está bom, eu sempre acho que tudo pode melhorar e que não há coisa ruim que não possa piorar, isto significa que mesmo que algo esteja muito ruim, acredito que poderia estar pior e isso me conforta.

Ah! Eu acredito também em “Laws of attraction”, pensamento positivo e todas as outras coisas que minha mãe, uma verdadeira Poliana, fez o favor de me ensinar ao longo dos anos.

Não comentei aqui mas mudei de apartamento na semana que passou. Fui pra um maior, mais espaçoso, mais organizado, mobiliado, melhor localizado e muito muito mais bonito.

O que era pra ter sido a melhor mudança da minha vida quase se trasforma no pior dos meus pesadelos.

É assim: O apartamento é quase todinho mobiliado, mas eu precisava comprar um ar condicionado (artigo de primeiríssima necessidade pra qualquer Paraoara) e uma cama (artigo de zeríssima necessidade para qualquer pessoa que se preze)

Descobri da pior forma possível que sou a mais entulheira das pessoas. Eu passei exatamente 1 ano morando num apartamento-apertamento e consegui reunir mais bregueços do que muitas famílias juntas. Conclusão??? Minha mudança que deveria ter consumido apenas uns dois dias, tornou-se uma aventura sem precedentes e ainda não acabou!

Como tenho até o dia 31 pra sair do antigo apertamento, decidi me mudar aos poucos, mas quando a cama e o ar condicionado chegaram, achei que seria mais prudente passar a dormir no apartamento novo, por todos os motivos listados acima.

No exato dia em qua a cama chegou, percebi que umas 08 lajotas justamente do meu quarto resolveram brigar entre elas e formar um “espaço morto”, o que fez com que elas se quebrassem sem nenhum motivo aparente. Dormi na minha cama box liiiiiiiiiiiiiiiiiiinda de casal (lindas ambas 🙂 – a cama e eu), mas percebi durante a noite que o ar condicionado digamos que servisse de circulador de ar (????????). Não bastando isso, percebi no dia seguinte, ao demorar horrores para acordar do meu sono de princesa (cof! cof!) que há uma “certa umidade” no chão do meu quarto.

Ok. Vida que segue. Passei o dia todo trabalhando e quando volto ao meu novo doce lar para dormir, o ar condicionado continua “circulando” e, pior, durante uma chuva torrencial, noto ainda que chove dentro do meu quarto. Isso mesmo!!!! CHOVE DENTRO DO MEU QUARTO.

Mas o sono foi maior. O meu sono sempre é maior do que qualquer coisa.

Quando acordei no dia seguinte, ao pisar  no chão já com algumas lajotas a menos, noto UMA POÇA D’ÁGUA. Isso mesmo. Uma poça d’água lindamente conjugada à minha cama box novinha e liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda. Fui até a outra janela do meu quarto e percebo UMA OUTRA POÇA D’ÁGUA só que desta vez conjugada aos meus sapatos!!!!!!!!!!!!!!!! Isso mesmo!!! Uma outra poça d’água conjugada aos meus sapatos!

Fui até a sala que é conjugada à cozinha e olho para a outra janela e duvido que vocês adivinhem o que achei lá!!! UMA NOVA POÇA D’ÁGUA conjugada às caixas dos meus livros.

Não sei se foi o sono, o otimismo ou uma loucura repentina. Só para explicar o quanto sou apaixonada por livros, vale contar que meu Neurologista certa vez perdeu quase todos os seus livros porque na sua clínica houve um vazamento do cano da Ressonância Magnética que, não por acaso, passava bem em cima do seu consultório e todos os livros, eu disse TODOS OS LIVROS dele que estavam lindamente expostos nas prateleiras, ficaram estragados. Adivinhem o que eu fiz ao saber disso???? Chorei compulsivamente na frente dele. Graças a Deus ele não me mandou direto para o Psiquiatra.

O fato é que ao perceber que as poças conjugadas não tinham feito tanto estrago assim e tanto a minha cama box de casal (liiiiiiiiiiiiiinda) quanto meus sapatos e meus livros estavam intactos, eu não dei escândalo nenhum e só chamei o dono do imóvel pra que resolvesse o problema.

Percebam que o imóvel que era maior, mais espaçoso, mais organizado, mobiliado, melhor localizado e muito muito mais bonito se tornou um imóvel com lajotas futuantes, ar condicionado que só ventila e que chove dentro!!!

Na sexta-feira, entreguei a chave para o dono resolver as broncas todas com uma calma que surpreendeu a mim mesma e fui liiiiiiiiiinda dormir na casa da Lucélia, minha amiga e companheira de almoços animados 🙂

Ao acordar, fui direto para o plantão de 24 horas. Sim, às vezes eu sou uma espécie de Jack Bauer e tenho apenas 24 horas para resolver todas as broncas do mundo!

Quando cheguei ao plantão, compreendi porque depois da tempestade vem a bonança (para os otimistas, é claro).

Meu dia começou com um scrap no Orkut me informando que alguém totalmente desconhecido por mim, chegou a este Blog por meios totalmente desconhecidos por mim, leu o que escrevo e se identificou!! Isso foi algo maravilhoso e sem precedentes.

Depois disso, falei com minha amiga Kiara sobre meus projetos para Abril e descobri que estão todos muito bem encaminhados.

Mais tarde, fui elogiada por um paciente que eu já havia atendido quase 01 ano atrás e ele se mostrou muito feliz por eu tê-lo atendido novamente.

Saí do plantão por cerca de 5 minutos para comprar o meu almoço num restaurante self-service de perto do Hospital (deixando outro médico no meu lugar, que fique bem claro) e fui cumprimentada desde o porteiro do restaurante até o caixa.

Tive a felicidade de confirmar um diagnóstico  difícil.

Kiara me elogiou como escritora (acho que blogueira seria mais adequado).

Recebi a notícia de que meu amigo está completamente apaixonado meeeeeeeeeeeesmo e dei  o maior apoio.

Ouvi de um amigo meu que sou nova demais e bonita demais  (Cof! Cof!) pra deixar de curtir minha vida

Enfim… Tantas coisas boas aconteceram hoje que chego a ficar com medo.

Depois da tempestade, vem a bonança? Ótimo.

Mas e se depois da bonança a tempestade voltar?

O que será que encontrarei no meu apartamento novo amanhã??? Caos novamente ou a ordem de volta ao Santo Lar de Renata?

Aguardem cenas dos próximos capítulos.

No próximo episódio… Renata terá apenas 24 horas para… Dormir e sonhar que nós moramos no melhor dos mundos possíveis (Cândido ou O Otimismo)

Baci!

Thais

Janeiro 16, 2008

Em janeiro de 1999 decidi que estudaria uma língua estrangeira. Eu já estava no segundo ano da faculdade e já era formada em inglês. Estava tentando sair de um relacionamento fracassado mas estava sendo muito, muito difícil. Pensei em estudar francês, mas o curso era longo demais. Pensei em estudar espanhol mas não fazia idéia de onde seria o melhor curso. Decidi estudar italiano, língua dos meus antepassados nem tão antepassados assim.

Escolhi estudar aos sábados porque não influenciaria nos meus horários muito loucos da faculdade.

No primeiro dia de aula, ao subir as escadas, uma moça com aproximadamente a minha idade pergunta se sou também do primeiro nível. Resposta afirmativa, procuramos nossa sala.

A minha primeira impressão foi de indiferença. Dela, de descaso, quase desprezo. Como ela mesma me disse anos mais tarde, ela me achou muito petulante e metida, além de falar alto e ser esparrenta.

Foi assim que conheci minha melhor amiga.

As aulas de italiano eram semanais. Não tínhamos nenhum contato entre um sábado e outro. Algumas vezes fomos ao shopping, outras vezes conversamos nos intervalos. Nada além disso.

Quanto à minha faculdade, foi seguindo seu rumo. O namoro que estava terminando, de fato terminou, alguns meses depois. Conheci outras pessoas, tentei me refazer da decepção e do costume.

Cerca de um ano depois, um ano e meio, não estou bem certa, foi a vez da Thais terminar um namoro longo e sofrer muito por isso. Eu já tinha passado pelo desespero de viver grudada a uma única pessoa e depois do término não saber sequer ir ao shopping sozinha. Não deixaria que alguém de quem eu já tinha aprendido a gostar passasse pelo mesmo que eu.

E foi assim que passamos a sair todos os finais de semana. Foi assim que conhecemos os amigos da outra e passamos a ir ao cinema aos domingos.

De colegas da aula de italiano, “oriundi”, passamos a ser amigas inseparáveis e eu descobri alguém maravilhoso, que não sei como poderia não fazer parte da minha vida.

Hoje é aniversário da Thais e não tenho nem por onde começar a explicar o quanto a minha amiga é especial.

Perdi a conta de quantas vezes discordamos, de quantas vezes fizemos compras juntas, de quantas vezes sofri pelas escolhas erradas dela e de quantas vezes ela também sofreu pelas minhas escolhas erradas, apesar de saber que ela sempre me achou muito mais segura de mim.

O que desejar pra minha melhor amiga? Tudo de bom???Felicidades? Amor? Sorte? Sucesso? Realizações? Também.

Mas, no meu íntimo egoísta, desejo ainda que ela seja minha amiga eternamente e que eu possa sempre contar com seu ombro pra chorar minhas desilusões e com sua companhia para ser cada dia mais feliz.

Felia aniversário, miguxa!!!

Eu te amo muito!

Baci!

Mancuso

Janeiro 12, 2008

My hero, my brother, my friend…

Mancuso apareceu na minha vida sem querer. Nem me recordo ao certo como comecei a conversar com ele, ainda na internet nos idos de 2001, ainda usando o mIRC (abafa o caso!).

O fato é que as conversas se tornaram freqüentes e os amigos em comum foram se multiplicando até o dia em que nos conhecemos pessoalmente. Lembro que fomos tomar um sorvete da Cairu e ele me surpreendeu por escolher justamente o sorvete de maracujá (abafa o caso de novo!).

Mancuso, ou melhor, Marcio, quer dizer, Cuso é uma pessoa simplesmente indescritível. Já conseguiu esculhambar com minha sandália nova e me chamar de lesa por me apaixonar pelo cara errado assim, na lata, sem titubear e sem sequer tentar escolher palavras, mas o mais surpreendente de tudo, é que ele fala com uma sinceridade tão absurda que é impossível ficar pelo menos chateada muito menos magoada porque a intenção dele é somente te fazer feliz e te fazer uma crítica construtiva.

Ele já me avacalhou por dias inteiros, já me levou pra tomar chuva num show da Tribo de jah, já me deu alguns dos melhores abraços da minha vida e já me deixou lavar suas camisas com as minhas lágrimas.

Ele já ficou bêbado por minha causa, assumindo a “responsabilidade” de beber no meu lugar na Mexicana e já foi aos lugares mais micantes do mundo me acompanhando. Já deslocou o ombro na minha frente, brincou de Porrinha de uma forma inusitada e inventou de ir pra Mosqueiro de madrugada.

Mancuso faz parte da minha vida e espero que faça parte enquanto eu existir.

Hoje é o aniversário do Cuso. Mais um aniversário em que estamos longe.

Porém, mais um aniversário em que tenho a felicidade de desejar tudo de melhor pra ele, sempre. Mais um aniversário em que somos amigos.

Seja sempre meu herói, meu irmão, meu amigo.

Te amo!

Baci!

Sacerdócio

Janeiro 8, 2008

Há exatos 04 anos me casei.

Não um casamento normal e tradicional, embora tenha envolvido uma igreja também.

Há 04 anos me casei com a minha profissão.

No momento em que nós, médicos, recebemos o grau, passamos a usar o anel no anelar esquerdo, símbolo do único casamento indissolúvel que eu conheço!

Existem ex-professores, ex-advogados, ex-mulher, ex-marido mas há algumas coisas que não existem!

Ex-corno, ex-gay, ex-sogra e ex-médico.

Já sofri bastante com e pela minha profissão. Já desejei largar tudo e ter uma vida “normal”. Já disse que isso não era pra mim.

Mas também já tive dias de tanta felicidade que fiz questão de ligar pra minha mãe e agradecer a ela por ter me tornado  médica.

Sim. Se hoje sou médica devo em mais de 90% a minha mãe, que sonhou isso pra mim e viu em mim potencial para sê-lo.

Acredito que minha profissão, casamento, sacerdócio seja uma das coisas mais importantes da minha vida e hoje eu completo mais um ciclo da minha vida.

Há 04 anos eu era apenas uma recém-formada besta. Hoje eu sou uma médica formada há 04 besta ! 😉

Parabéns pra mim e que muito mais conquistas venham!

Parabéns pelo meu casamento feliz!

Baci!

O Mais é Nada

Janeiro 6, 2008

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela,  mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o  seu calor é  para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar  no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos,  não  pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta;

conserve a vontade de viver, não se  chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual  for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa  procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando  julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se  afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.

(Fernando Pessoa)

 

O texto acima é referenciado como do Fernando Pessoa e eu confesso que o acho otimista demais para o poeta, mas quem sou eu pra discutir autoria de alguma coisa?

O fato é que, plagiando meu amigo Leonardo Aquino, “escrever em Blog é coisa de gente triste” e eu estava muito triste até ontem.

Hoje me muni da fé da minha mãe, aquela mesma que remove montanhas e percebi o quanto a minha vida é bela e gratificante. Se hoje estou triste é porque certamente ficaria mais triste mais tarde!

“Se não deu certo, é porque não é o final”

O mais, é nada!

Baci!

Vanessa

Janeiro 4, 2008

Janeiro está longe de ser meu mês preferido, mas nele posso incluir os aniversários de algumas das pessoas mais importantes da minha vida.

Vanessa é minha prima-irmã. Não. Vanessa é muito muito mais que isso.

Vanessa é a personificação da minha família.

Quando éramos crianças, ela me tratava como mãe. Na nossa infãncia remota ela, que é 3 anos mais velha que eu, não costumava brincar comigo.

Recordo com carinho do dia em que nos aproximamos. Eu tinha uns 7 ou 8 anos e morava na casa da vovó junto com minha mãe. Não sei se meus tios tinham ido a alguma festa ou se estavam viajando, só lembro que Vanessa foi dormir na minha casa. As salas grandes da casa da vovó estavam sendo reformadas e os móveis não estavam lá. Tudo que tínhamos eram 2 salas conjugadas e todo o espaço pra nossa imaginação. Brincamos até não agüentarmos mais e desde então passei a ir a sua casa todos os finais de semana.

Meus tios moravam a umas 5 quadras da minha casa e nós fizemos de tudo um pouco juntas. Andamos de bicicleta, inventamos jogos, fomos acionistas da bolsa de valores, leiloeiras de arte, detetives, jogaoras de futebol, patinadoras, bailarinas, atrizes, corredoras de fórmula 1.

Assistimos aos mais variados filmes. Lemos os mais variados livros. Contamos os mais variados segredos uma pra outra.

Com Vanessa aprendi o que é cuidar e ser cuidada, a amar e ser amada. Aprendi o que é ter uma irmã.

Não tenho como quantificar tudo que ela já fez por mim, nem o medo que sinto dela até hoje quando sei que fiz algo que a desapontaria, assim como não tenho como quantificar o orgulho que sinto dela e que eu sei que ela sente de mim.

Não há pessoa no mundo em quem eu confie mais. Não há pessoa no mundo que eu deseje mais bem. Não há pessoa no mundo que me entenda e queira o meu bem como ela.

Lembro que uma vez falei pra ela que em hebraico “prima” e “irmã” eram uma palavra só. Ela rebateu dizendo que isso se devia certamente a uma pobreza extrema da língua. Mas o significado é exatamente igual para nós. Talvez se fôssemos irmãs de verdade, não seríamos tão amigas.

Estamos unidas pelo amor de irmãs, mas também pela dor. Nós duas sabemos o que é perder um irmão, que não por acaso era o irmão dela e meu primo.

Certa vez, na adolescência, perguntei a Vanessa se continuaríamos tão amigas durante a vida adulta e ela me disse que com certeza sim. Que os programas seriam a diferença. Ao invés de irmos ao shopping ou ao restaurante, marcaríamos de levar nossos filhos à praça 🙂

Nunca falei de meus amores pra Vanessa. Achava que ela tomaria minhas dores e sofreria junto comigo. Descobri depois de um tempo que ela sofria por não participar da minha vida e por temer que alguém me fizesse mal. Resolvi então que todos os manés da minha vida teriam nome e sobrenome 🙂

Que neste aniversário e neste ano de 2008, possamos ser mais amigas e companheiras.

Toda a felicidade do mundo pra minha prima. Obrigada por ser tão imprescindível na minha vida.

Baci!