Balanço de Ano Velho

Dezembro 31, 2007

É inevitável, né?

Chega essa época do ano e a gente não se conforma se não fizer uma análise às vezes fantasiosa, às vezes nua e crua da realidade que nos cercou nos últimos doze meses. É imprescindível entrar no Novo Ano com o mínimo de mágoas possível e com o máximo de esperança possível.

Hoje fiquei pensando na vida, assim, como se não tivesse nada pra fazer e cheguei a algumas conclusões.

Meu amigo especial me disse que 2007 foi seu ano de purgatório e eu tenho que concordar. O ano que graças a Deus terminará amanhã foi, para mim, de fato, um ano de purgatório.

Digo isso porque 2006 foi certamente um ano inteiro de inferno astral. Como se não bastasse ter mudado de cidade de um dia pro outro, iniciei a Residência de Clínica Médica e me decepcionei muito com pessoas, serviços, Medicina, estudo, trabalho, etc etc etc. Passei por um período brabo de adaptação, larguei empregos em Belém, parei minhas aulas de francês, e, além de ter parido um apêndice, fiquei doente por quase 2 meses e quando já estava me recuperando em todos os sentidos, recebi a bomba da morte do Fabricio.

Estava prestes a mergulhar num processo depressivo muito intenso e importante e no penúltimo dia de 2006, sonhei com meu primo. Era um sonho tão real que não tenho como avaliar se de fato aconteceu mas foi o que me animou para sair de tudo em que eu estava e entrar 2007 da melhor forma que eu poderia naquele momento.

Em 2007, voltei pra academia mas logo em seguida perdi minha vovó. Entrei em estado de mal asmático seguido de pneumonia atípica e depois uma crise básica de ansiedade mas não posso deixar de comemorar as minhas vitórias.

Se em 2006 decidi qual subespecialidade seguir, em 2007 consolidei o desejo e a vontade. Viajei muito, aprendi mais ainda, dei continuidade à Residência, iniciei uma pós-graduação, mudei de casa, cortei o cabelo, fiz novos amigos e consolidei as velhas amizades.

Em 2007 eu me apaixonei, me decepcionei, mas preferi me iludir e continuar apaixonada porque isso siginifica estar viva.

Em 2007, saí meio que a contra-gosto da minha zona de conforto e estou agora mais frágil, porém mais sensível também.

Conheci minha irmã e tantas pessoas maravilhosas. Descobri que posso ainda mais.

Que 2008 seja o ano do paraíso!

Baci!

Cortar o Tempo

(Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

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