Da Minha Irmã

Novembro 20, 2007

Sou filha única, de mãe solteira, criada por mãe, avó coruja e tias.

Na verdade, meus pais se separaram quando eu tinha 03 anos e apesar de ser chamada eternamente como “meu xodó” e “my life” pelo meu pai e de receber cartões esporádicos dele escritos “do seu e sempre seu”, sempre foi com minha mãe, minha avó e tias Aurea, Beth e Yeda com quem pude contar.

Já comentei anteriormente que sempre fui extremamente mimada não apenas por todas as supracitadas mas também pelos meus tios, primos, professores, vizinhos, amigos, gato, cachorro, papagaio e periquito. E olha que nem sou tão meiga nem tão sensível assim mas acho que sempre rolou um certo sentimento de pena em relação à “menininha que vê o pai de 7 em 7 anos e nunca tem notícias dele nos intervalos”.

O fato é que passei por todas as fases, desde fantasiar que conversava com meu pai todos os dias até a fase de não tolerar sequer ouvir o nome dele, querer trocar de sobrenome e detestar sempre que me diziam que me pareço com ele. Eu já passei Natais grudada no telefone esperando por um telefonema e já passei aniversários sem querer sair de casa porque achava que ele poderia chegar a qualquer momento, coisa que jamais aconteceu.

Hoje ainda guardo certa mágoa porque acredito que minha vida teria sido melhor com uma figura paterna ao meu lado, mas também entendo que se ELE estivesse ao meu lado, provavelmente não teria sido nem um terço de tudo que eu imaginei que pudesse ser.

Sempre soube que tinha uma irmã. Certa vez, quando a minha avó paterna ainda era viva, fui a sua casa perto do Natal e vi uma pequena árvore com muitos bilhetes no lugar das bolas natalinas com vários nomes. Rapidamente achei o meu e dos meus primos que eu conhecia, mas achei um que me era totalmente desconhecido. Eu devia ter uns 08 anos. “Symone”.

“Quem é Symone, Vovó?”

“Symone é a tua irmã que mora no Rio”.

Minha irmã pra mim era um nome.

Soube mais tarde que antes de se casar com a minha mãe, meu pai achou uma primeira corajosa que se casou com ele, mas como ele já não era bom filho (como dizia minha avó Pascoa), jamais foi nem um bom marido nem um bom pai, a primeira corajosa teve mais coragem ainda e se separou dele pouco depois de ter tido uma filha e se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

Uma das coisas mais bizarras é que minhas lembranças da primeira infância me remetem ao meu pai. Era ele quem brincava comigo, me ensinou a jogar dominó e eu tinha um afeto tão grande por ele que demorei a entender que o problema dele não me procurar nunca, não era comigo. Ora, se tínhamos uma família que eu julgava feliz,  minha mãe me repreendia porque não me amava e meu pai que não apenas não me repreendia, como fazia todas as minhas vontades e ainda brincava comigo era a pessoa que mais me amava no mundo! Como fazer uma criança perceber que quem ama, educa?

Quem ama, está ao lado em todos os momentos bons, mas principalmnete nos ruins. Quem ama, não desampara. Quem ama, protege mas também não sufoca.

Em abril ou maio de 2007, quando eu ainda estava tentando me recuperar dos choques que recebi no fim de 2006 e fevereiro de 2007, fui abordada no Orkut pela Symone. Sim, minha irmã, filha do primeiro casamento do meu pai.

Confesso que inicialmente minha reação foi de desconfiança. Como assim? Depois de tantos anos? Se ela sempre soube que eu existia, por que nunca me procurou mas está me procurando agora?

O fato é que resolvi abrir a guarda e conhecê-la e ela me contou as coisas mais estapafúrdias e desconhecidas por mim, como o fato de só ter visto nosso pai uma única vez quando ela tinha uns 05 anos e de só ter sabido da minha existência uns 04 aos antes.

Começamos a conversar pelo MSN e por e-mail e nos aproximamos cada vez mais até que precisei ir ao Rio para fazer uma prova e nos conhecemos pesoalmente.

Acho que não consigo achar palavras pra definir a emoção de achar alguém que divide 50% da carga genética com você e que era até bem pouco tempo antes, uma desconhecida.

Além das semelhanças físicas, que não temos como evitar, as afinidades e os gostos são absurdamente parecidos e inegáveis, irrevogáveis. É como se estivesse encontrando tardiamente alguém que sempre esteve destinada a ser minha melhor amiga.

Hoje eu continuo me considerando filha única, mas uma filha única com uma irmã maravilhosa que me enche de orgulho e que me faz desejar conhecê-la cada vez mais.

Quanto a meu pai, apenas lamento que ele não faça parte da vida de pessoas felizes, amadas e verdadeiras como nós.

2 Respostas to “Da Minha Irmã”

  1. Eu sou filha caçula, com um espaço enorme entre mim e minha irmã mais velhas, pois tive irmaos que desencarnram nesse espaço de tempo. E mesmo tendo sido “quase criada” como filha única, já que meus irmãos já tinham idade suficiente pra mimarem a Kiarinha…. Mas depois que a gente cresce, não há nada mais companheiro que precisar apertar a mãe de alguém e esse alguém ser seu amigo, e seu irmão!
    Bjs Amada

  2. Uma vez escutei falar que filhos únicos não sabem dividir as coisas, pelo fato de tudo ter sempre sido só deles. De fato, conheci filhos únicos assim e estranhei muito, pois desde meus 4 anos, perdi meu “reinado” e aprendi a dividir e conviver com alguém tão importante quanto eu em casa.
    Agora, mesmo sem você ter aprendido a dividir as coisas com uma irmã em casa, nunca notei esse “egoísmo” dos filhos únicos. Muito pelo contrário. Então, o legal disso é que você só tende a melhorar o que já é bom, hehehe…
    Fico feliz por vc estar curtindo a sua irmã agora. Nunca é tarde, não é mesmo? E uma coisa é certa: irmãs são mesmo as melhores amigas da gente (ainda que nos tirem a paciência de vez em quando…).😛🙂

    Beijos

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