Das Ex-namoradas

Novembro 30, 2007

Não. Eu nunca tive uma namorada por motivos óbvios e ululantes.

Sim, eu gosto de homens e isso inclusive já me fez chorar bastante e fazer muito drama, mas também já me deu muitas alegrias, se é que se pode dizer assim. 😉

O fato é que para nós, mulheres boas, sensatas, carinhosas e inteligentes, não há nada pior do que a ex-namorada do cara que estamos a fim.

Explico.

Não acredito que meus ex-namorados tenham ficado com nenhum tipo de trauma depois de mim mas é impressionante como tenho chama para homem “noiado”.

Minha prima costuma dizer que todo homem que já passou dos 20 (às vezes até dos 15) é noiado. Ou foi traído pela ex, ou foi trocado, ou foi simplesmente largado quando estava louco por ela e etc.

Eles são sempre as vítimas, elas são sempre as carrascas, mesmo que tenham sido maravilhosas com eles. Se os traíram, são galinhas. Se foram traídas, não souberam cultivar o amor e o carinho deles. Se terminaram o namoro, têm Transtorno Bipolar, se ficaram namorando mesmo sabendo de tudo que eles aprontaram, têm Personalidade fraca.

Sabem quem paga o pato? Nós. Mulheres decentes e decididas.

Sim. Se a ex for uma cachorra, todas as mulheres são cachorras na visão dele. Se a ex for uma santa, nenhuma mulher chegará jamais aos pés dela.

E se formos simplesmente NÓS????

Ora, faça-me o favor!

Se os homens são a favor de conhecer uma mulher sem passado, eu acho que deveríamos exigir isso deles também!

Acho que deveríamos ter um sistema revolucionário que faz com que ativemos o “esquecedor de coisas ruins de antigos relacionamentos. Mode on!!!!! Assim, conheceríamos uma nova pessoa e nos lembraríamos apenas das coisas boas dos antigos relacionamentos e levaríamos por toda a vida, como os Restaurantes preferidos, as viagens juntos, os presentes de Natal, Aniversário, Dia dos Namorados.

Não. Não sou a favor de nada do tipo “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. O filme é maravilhoso justamente por nos fazer perceber que nada seríamos sem nosssas experiências, boas ou ruins. Mas que seria bom um “botão desnoiador”, isso seria.

E viva o otimismo! Ainda vou achar um homem que tenha sofrido horrores com antigos relacionamentos mas que vai entender que ex é ex e que o passado tem que nos fazer sermos melhores e não piores.

E tenho dito!

Não, não estou amarga. São só os ventos pré monografia me estressando. Daqui a 2 semanas passa 😉

Mais uma vez obrigada aos meus visitantes desconhecidos

Baci!

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Kiara

Novembro 24, 2007

” É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não”

Hoje eu poderia falar da ausência do meu primo-irmão, mas resolvi fazer uma espécie de “jogo do contente” e falar d alegrias e não de tristezas.

Por mais que as alegrias não nos façam esquecer das tristezas, há decisões e opções que nos são permitidas e, neste instante, prefiro que as tristezas fiquem caladas.

Hoje é aniversário da Kiara!

Sim, minha única leitora assídua e poeta particular. Provavelmente uma das pouca pessoas que me considera MEIGA (isso mesmo, MEIGA), confidente e companheira para papos intermináveis e churrascos no “Mineiro”.

Ah! Não posso me esquecer também de que ela é quase a única pessoa que achas que este blog vale a pena ser lido. Talvez nem minha mãe achasse isso se o lesse…

Sinto-me privilegiada por conhecer alguém tão livre de preconceitos e ao mesmo tempo, tão capaz de amar e de se entregar às pessoas e às amizades, apesar do risco de “quebrar a cara”. Sou privilegiada mais ainda por poder chamá-la de amiga e por poder cmpatilhar de tantos momentos maravilhosos até mesmo quando leio o seu blog.

Aniversários são bênçãos. Adquirimos mais maturidade e experiência e amor à vida com o decorrer deles.

São verdadeiras Revoluçõs Solares, ou seja, o verdadeiro Ano Novo individual. É quando olhamos pra trás e percebemos o que já fizemos e tentamos olhar pra frente pra buscarmos o que AINDA não atingimos.

Numa viagem recente de avião, minha companheira desconhecida de viagem, em pânico pela decolagem e aterrissagem, ressaltou o quanto somos capazes de tudo que quisermos com vontade. Um avião voar é quase um milagre. Um aniversário a mais é certamente um milagre para nós e para quem nos ama.

Para a Kiara, é uma alegria dupla.

Fazer parte do mundo e ao mesmo tempo deixá-lo mais feliz.

Que este aniversário seja o primeiro de muitos de uma longa amizade, já que “nada é por acaso” e se somos amigas (sim, ela disse que quando for famosa, vou poder dizer que somos amigas e ela não vai desmentir), certamente é porque já nos conhecíamos antes.

Obrigada por existir, por ser inspiração contínua, leitora assídua, poeta talentosa e minha fã 😉

Seja feliz sempre e irradie felicidade!

Beijos e até a Balzaquianice 😉

Da Minha Irmã

Novembro 20, 2007

Sou filha única, de mãe solteira, criada por mãe, avó coruja e tias.

Na verdade, meus pais se separaram quando eu tinha 03 anos e apesar de ser chamada eternamente como “meu xodó” e “my life” pelo meu pai e de receber cartões esporádicos dele escritos “do seu e sempre seu”, sempre foi com minha mãe, minha avó e tias Aurea, Beth e Yeda com quem pude contar.

Já comentei anteriormente que sempre fui extremamente mimada não apenas por todas as supracitadas mas também pelos meus tios, primos, professores, vizinhos, amigos, gato, cachorro, papagaio e periquito. E olha que nem sou tão meiga nem tão sensível assim mas acho que sempre rolou um certo sentimento de pena em relação à “menininha que vê o pai de 7 em 7 anos e nunca tem notícias dele nos intervalos”.

O fato é que passei por todas as fases, desde fantasiar que conversava com meu pai todos os dias até a fase de não tolerar sequer ouvir o nome dele, querer trocar de sobrenome e detestar sempre que me diziam que me pareço com ele. Eu já passei Natais grudada no telefone esperando por um telefonema e já passei aniversários sem querer sair de casa porque achava que ele poderia chegar a qualquer momento, coisa que jamais aconteceu.

Hoje ainda guardo certa mágoa porque acredito que minha vida teria sido melhor com uma figura paterna ao meu lado, mas também entendo que se ELE estivesse ao meu lado, provavelmente não teria sido nem um terço de tudo que eu imaginei que pudesse ser.

Sempre soube que tinha uma irmã. Certa vez, quando a minha avó paterna ainda era viva, fui a sua casa perto do Natal e vi uma pequena árvore com muitos bilhetes no lugar das bolas natalinas com vários nomes. Rapidamente achei o meu e dos meus primos que eu conhecia, mas achei um que me era totalmente desconhecido. Eu devia ter uns 08 anos. “Symone”.

“Quem é Symone, Vovó?”

“Symone é a tua irmã que mora no Rio”.

Minha irmã pra mim era um nome.

Soube mais tarde que antes de se casar com a minha mãe, meu pai achou uma primeira corajosa que se casou com ele, mas como ele já não era bom filho (como dizia minha avó Pascoa), jamais foi nem um bom marido nem um bom pai, a primeira corajosa teve mais coragem ainda e se separou dele pouco depois de ter tido uma filha e se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

Uma das coisas mais bizarras é que minhas lembranças da primeira infância me remetem ao meu pai. Era ele quem brincava comigo, me ensinou a jogar dominó e eu tinha um afeto tão grande por ele que demorei a entender que o problema dele não me procurar nunca, não era comigo. Ora, se tínhamos uma família que eu julgava feliz,  minha mãe me repreendia porque não me amava e meu pai que não apenas não me repreendia, como fazia todas as minhas vontades e ainda brincava comigo era a pessoa que mais me amava no mundo! Como fazer uma criança perceber que quem ama, educa?

Quem ama, está ao lado em todos os momentos bons, mas principalmnete nos ruins. Quem ama, não desampara. Quem ama, protege mas também não sufoca.

Em abril ou maio de 2007, quando eu ainda estava tentando me recuperar dos choques que recebi no fim de 2006 e fevereiro de 2007, fui abordada no Orkut pela Symone. Sim, minha irmã, filha do primeiro casamento do meu pai.

Confesso que inicialmente minha reação foi de desconfiança. Como assim? Depois de tantos anos? Se ela sempre soube que eu existia, por que nunca me procurou mas está me procurando agora?

O fato é que resolvi abrir a guarda e conhecê-la e ela me contou as coisas mais estapafúrdias e desconhecidas por mim, como o fato de só ter visto nosso pai uma única vez quando ela tinha uns 05 anos e de só ter sabido da minha existência uns 04 aos antes.

Começamos a conversar pelo MSN e por e-mail e nos aproximamos cada vez mais até que precisei ir ao Rio para fazer uma prova e nos conhecemos pesoalmente.

Acho que não consigo achar palavras pra definir a emoção de achar alguém que divide 50% da carga genética com você e que era até bem pouco tempo antes, uma desconhecida.

Além das semelhanças físicas, que não temos como evitar, as afinidades e os gostos são absurdamente parecidos e inegáveis, irrevogáveis. É como se estivesse encontrando tardiamente alguém que sempre esteve destinada a ser minha melhor amiga.

Hoje eu continuo me considerando filha única, mas uma filha única com uma irmã maravilhosa que me enche de orgulho e que me faz desejar conhecê-la cada vez mais.

Quanto a meu pai, apenas lamento que ele não faça parte da vida de pessoas felizes, amadas e verdadeiras como nós.

Beijo em Confissão

Novembro 18, 2007

Confissões são quase sempre um sonho de liberdade
Mas o conceito de liberdade é tal qual o de felicidade
Estão sempre querendo lutar com o de realidade

O eterno dilema: seguir o coração ou a razão?…
Ansiando o dia em que se encontrarão
Deixo aqui uma pequena confissão:

Em realidade, e para felicidade em liberdade
Há somente dois tipos de beijos
Os beijos e os beijos de verdade.

(Kiara Guedes)

Recebi esse poema hoje e tinha que ser justamente da Kiara, que não por acaso sabe que não gosto muito de poesias.

Ela disse que se lembrou de mim quando o releu e realmente não poderia expressar melhor meu momento atual.

Acho que beijos são confissões sim, principalmente se considerarmos que eu sou o mais verdadeira que consigo sempre e beijando jamais conseguiria mentir.

E o beijo…??? Sai ou não sai?

Poema em Linha Reta

Novembro 16, 2007

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

(Fernando Pessoa como Álvaro de Campos)

.

Vou contar uma quase infâmia pra vocês. Aliás, contar não é bem o termo. Vou confessar!

Até hoje tive coragem de fazer essa confissão a pouquíssimas pessoas e a Kiara é uma delas.

Lá vai. Eu não gosto de poesias. Pronto, falei.

Assim. Não é que eu as odeie, mas por exemplo, concretismo é uma coisa que não engulo. Palavras sem nexo menos ainda. Acho que sou objetiva demais para ler um poema. Na maioria das vezes ele não me mostra significado algum.

Mas aí acontecem umas coisas estranhas. A gente lê uma poesia e gostaria de tê-la escrito. Num momento súbito, o que o poeta escreveu faz todo o sentido pra gente e é isso que eu sinto quando leio esse Poema em Linha Reta, do Fernando Pessoa.

Confesso que acho estranho um único poeta escolher três pseudônimos diferentes pra escrever suas poesias. Às vezes me parece que ele não escreveu nada e que os três poetas que ele criou são na verdade espíritos que psicografam as poesias pra ele. Mas então ele me vem com uma poesia dessas, que diz absolutamente tudo que eu queria dizer e eu já não sei se ele escreveu, se psicografou ou se comprou pronto. O importante é que tá aí, é lindo e reflete o que eu sinto.

Essa poesia me faz pensar justamente nessa minha característica de não gostar de poesias de um modo geral, coisa quase inconfessável e na mania que as pessoas têm de tentar mostrar uma coisa que não são. Quantas pessoas vocês conhecem que diriam com todas as letras que não gostam de Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Florbela Espanca e tantos outros? Claro que eu também não sou 100% transparente todo o tempo e que a imagem de perfeição é o que se busca. Eu, na verdade busco não só a imagem mas a perfeição em si, mas tenho que admitir que estou longe disso léguas e léguas e léguas e isso me faz humana e me faz me identificar com o poema do Fernando Pessoa (desculpa, tá?). E eu até gosto de um montão de poesias dos citados, menos da Cecília Meireles que acho deprê demais.

Todas as pessoas são perfeitas, certinhas, cultas, pudicas e muito melhores do que eu, reles mortal que não gosta de poesias.

Acho na verdade que não gosto de todas as poesias. Sou uma chata de plataformas (galochas não estão mais na moda!!!) e só gosto do que me interessa e do que me faz feliz.

Às favas com a perfeição, ou melhor, com a falsa imagem de perfeição. Eu não gosto de poesias mas sou feliz e sou sincera. E se gostar de alguma poesia, eu digo que gostei e pronto!

Quando alcançarmos a perfeição moral, não vamos ter que fingir que somos perfeitos.

Beijos e boa viagem pra mim de novo. Depois eu conto minhas novas aventuras