Consoada

Outubro 25, 2007

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(Manuel Bandeira)

Recebi um texto que citava esse poema hoje. O texto falava sobre a preparação para a morte, a única certeza dessa vida.

Apesar da beleza do texto e do poema, impossível para mim concordar com ambos.

Ninguém se prepara para a morte. Ninguém se prepara para ficar longe de quem ama.

Nada está ou ficará no seu lugar.

Hoje fez 11 meses que minha vida deu uma guinada após a morte do meu primo.

E posso garantir que até hoje a mesa não está posta, a casa não está limpa e até hoje o campo não foi lavrado.

Saudades!

2 Respostas to “Consoada”

  1. “saudade,
    seja como for…
    saudade,
    é irmã da dor…”

  2. […] Aí foi que capturamos o ensinamento – e depois soubemos que era só perguntar ao mestre, porque não há mistificação, apenas concentração, respeito aos limites e a permissão para que as ”coisas” encontrem os seus respectivos lugares, a sua origem – a tal da naturalidade, ou aquela coisa de “cada coisa em seu lugar”. […]

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