Do Dia do Médico

Outubro 20, 2007

Dia 18 de outubro, como todos devem saber, é o dia do Médico.

Confesso que muitas vezes me perguntei porque não poderia ser como os professores e ser agraciada com um quase feriado no meu dia profissional.

Acredito até que quase feriados são muito mais legais do que os feriados verdadeiros, já que não fica a cidade toda com aquela cara de marasmo e você se sente realmente privilegiado já que todos os outros seres trabalhadores estão na labuta, menos você e alguns de seus amigos.

Tudo isso significa que os quase feriados são melhores porque o shopping está aberto. Pronto, falei.

“Pessoas não escolhem quando vão ficar doentes”, você vai dizer e aí reside uma grande verdade, tanto que já me pronunciei anteriormente por aqui sobre o verdadeiro motivo de existirem Pronto Atendimentos em todas as cidades.

Porém, acho impossível acordar no Dia do Médico e não fazer várias elocubrações sobre a minha profissão. Acho que todos os profissionais já fizeram isso pelo menos uma vez na vida e o dia de determinado profissional, sendo comemorado ou não, é praticamente um convite a uma reflexão mais aprofundada.

A primeira reflexão diz respeito a escolhas.

Gosto de implicar com minha mãe dizendo que ela me forçou a ser médica só porque aos 14 anos, ela me chamou num canto e disse da forma mais séria que poderia conseguir, que me apoiaria em qualquer profissão que eu decidisse seguir, MAS, que ser médico era tão bonito, que meu avô morria de vontade de ter uma filha médica e, como não teve, certamente se orgulharia imensamente por ter uma neta médica.

Claro que se eu REALMENTE tivesse alguma outra profissão em mente, não teria nem dado ouvidos para o discurso ensaiado da minha mãe, mas desde aquele dia, passei a achar que a Medicina seria mesmo um vasto campo de conhecimento e que eu poderia até pensar em ser feliz sendo médica, andando de branco e fazendo garranchos.

Claro que a idéia de uma adolescente sobre o que é uma profissão é extremamente fantasiosa, mas lembro-me de que naquele momento era óbvio que a minha “vocação” estava descoberta.

Escrevo “vocação” entre aspas porque apesar de ter estudado grande parte da minha vida em colégio católico, nunca acreditei muito nesse papo de vocação. Na minha humilde opinião, qualquer coisa que você faça com esmero e dedicação será bem feita e te fará feliz nem que seja pelo simples fato de ter consciência de um trabalho bem realizado.

Desde o tão falado dia em que “descobri por livre e espontânea pressão a minha vocação”, dediquei-me a estudar para passar no vestibular e me recordo bem de que em determinado momento, o curso que eu faria era apenas um detalhe. O importante era apenas e tão somente passar no cretino do Vestibular.

Passei na primeira tentativa e gostaria de frisar que mais uma vez não fiz escolha alguma. Deixei apenas o barco correr.

Apenas no decorrer do meu curso pude começar a fazer escolhas. Clínica ou Cirurgia? Cardiologia ou Endoscopia? Geriatria ou Pneumologia?

Com o ampliar constate de conhecimento e o acompanhamento do dia-a-dia da minah até então futura profissão, pude finalmente fazer escolhas.

Ainda no terceiro ou no quarto ano, já havia me decidido a fazer Clínica Médica como residência e depois pensar no resto. Durante o curso, convivi com os mais variados tipos de pessoas, fiz os mais diversos amigos, participei dos mais diversos estágios e aprendi muito mais do que Ciência Biológica e Médica. Aprendi muito sobre relacionamentos, Ciências Humanas, Ciências Políticas e também fui largando meu mundinho de adolescente a cada novo semestre.

Após o término da faculdade e com novas escolhas pela frente, que eu também já comentei anteriormente, pude achar a subespecialidade que REALMENTE quero seguir e que eu tenho certeza de que vai me fazer feliz pelos próximos 30 anos, no mínimo.

Se vocês me perguntarem se eu escolhi ser médica, direi com toda a honestidade do mundo que não sei. Não sei se escolhi ou se escolheram por mim. Não sei se me deixei guiar por idéias fantasiosas de adolescente e curti mais o desafio do que o prêmio.

Mas uma coisa eu tenho certeza plena e absoluta de que escolhi: ser a melhor médica possível e aprender cada vez mais, cada dia mais.

Escolhi ser oncologista. Escolhi ser humana, ou pelo menos o mais humana possível.

No Dia do Médico e em todos os dias, peço a Deus que me ilumine pra que eu faça o bem e tão somente o bem a todos que precisarem da minha ajuda e do meu atendimento.

Feliz Dia do Médico e que São Lucas nos proteja!

 

 O dia 18 de outubro foi escolhido como “dia dos médicos” por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica; os dois que o precederam foram escritos pelos apóstolos Mateus e Marcos.

        Lucas não conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus. Além do evangelho, é autor do “Ato dos Apóstolos”, que complementa o evangelho.

        Segundo a tradição, São. Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antióquia. Possuindo maior cultura que os outros evangelistas, seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego.

São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica. Não há dados precisos sobre a vida de São Lucas. Segundo a tradição era natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento, assim como de sua morte.

        Há incerteza, igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi sepultado e onde repousam seus restos mortais. Na versão mais provável e aceita pela Igreja Católica, seus despojos encontram-se em Pádua, na Itália, onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos.
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        Não há provas documentais, porém há provas indiretas de sua condição de médico. A principal delas nos foi legada por São Paulo, na epístola aos colossenses, quando se refere a “Lucas, o amado médico”. Foi grande amigo de São Paulo e, juntos, difundiram os ensinamentos de Jesus entre os gentios.

        Outra prova indireta da sua condição de médico consiste na terminologia empregada por Lucas em seus escritos. Em certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a linguagem médica de seu tempo. Este fato tem sido objeto de estudos críticos comparativos entre os textos evangélicos de Mateus, Marcos e Lucas, e é apontado como relevante na comprovação de que Lucas era realmente médico. Dentre estes estudos, gostaríamos de citar o de Dircks, que contém um glossário das palavras de interesse médico encontradas no Novo Testamento.

        A vida de São. Lucas, como evangelista e como médico,  foi tema de um romance histórico muito difundido, intitulado “Médico de homens e de almas”, de autoria da escritora Taylor Caldwell. Embora se trate de uma obra de ficção, a mesma muito tem contribuído para a consagração da personalidade e da obra de Sao Lucas.

        A escolha de São Lucas como patrono dos médicos nos países que professam o cristianismo é bem antiga. Eurico Branco Ribeiro, renomado professor de cirurgia e fundador do Sanatório S. Lucas, em São Paulo, é autor de uma obra fundamental sobre São Lucas, em quatro volumes, totalizando 685 páginas, fruto de investigações pessoais e rica fonte de informações sobre o patrono dos médicos. Nesta obra, intitulada “Médico, pintor e santo”, o autor refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do “Colégio dos filósofos e dos médicos”.

        A escolha de São. Lucas como patrono dos médicos e do dia 18 de outubro como “dia dos médicos”, é comum a muitos países, dentre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos. No Brasil acha-se definitivamente consagrado o dia 18 de outubro como “Dia dos Médicos”.

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