Dever de Casa

Junho 14, 2008

É impressionante que eu tenha passado quase 3 meses sem escrever por aqui.

Deixei este blog às baratas e, acreditem, nesse período muitas coisas aconteceram por aqui do lado de fora.

Fui praticamente obrigada a voltar por causa do “dever de casa” que a Kiara me impôs 2 vezes. Sim, eu tive a cara-de-pau de não fazer o dever de casa pela primeira vez e ela, simplesmente, mandou o dever de casa de novo, como uma espécie de punição pela mal-criação.

Confesso que a tarefa me assustou a princípio. Como assim, definir as 08 coisas que quero fazer antes de morrer??? São tantas coisas, tantos clichês, tantos projetos e tantas coisas bizarras…

Mas vamos lá. Ao trabalho, então! Porque eu já deveria ter aprendido que adiar tarefas, não faz com que elas deixem de existir, como num passe de mágica!

E os comandos são:
1 – A pessoa selecionada, deve fazer uma lista, com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.

2 - É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas, não importando o que seja, é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.

3 – Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs.

4 – E finalmente, deixar se possível um comentário para que nos convidou, e informar o convidado.

Bom… Acho extremamente difícil relacionar isso. Com certeza quero fazer muito mais de 8 coisas antes de morrer, mas vou tentar relacionar as 8 coisas mais importantes, tentando passar por cima de coisas prosaicas, como trocar de carro, comprar apartamento, e demais coisas materiais. Vamos lá!

1) Ser Oncologista Clínica. Espero que este desejo (ou objetivo) seja realizado não apenas antes de eu morrer, mas, se possível dentro de no máximo, uns 5 anos.

2) Conseguir me entregar a sentimentos mais piegas e ser capaz de me envolver num relacionamento estável porém com aventuras e conseguir ser feliz dividindo uma mesma área física, também conhecida como casa/ apartamento/ quarto, além de dividir sonhos, frustrações, doenças, alegrias e tristezas. Em resumo: sim, eu falei sobre ser feliz numa união estável, também conhecida como casamento.

3) Ter um filho. Até hoje nunca me vi como uma mãe em potencial, mas tenho certeza de que isso se tornará uma constante na minha vida daqui a um tempo. Um amigo muito querido me disse dias atrás que gostaria muito de ter um filho, devido ao brilho no olhar que os pais têm.

4) Conhecer a Europa mochilando, de preferência com Thais e Vanessa. Tenhgo certeza de que quando estiver lá, serei extremamente feliz porque espero por esta viagem desde os meus 15  (longínquos) anos.

5) Cuidar de muitas pessoas e poder exercer a Medicina em sua plenitude, aprendendo todos os dias, tanto com meus acertos quanto com meus erros. Curar, poucas vezes; tratar, algumas vezes; confortar, sempre.

6) Aprender a ser mais paciente, menos intrasigente, menos ansiosa e a me conhecer melhor pra ser sempre uma pessoa melhor.

7) Emagrecer de verdade e conseguir que minha auto-estima esteja sempre elevada. Não necessariamente nesta ordem. Encarar um mini biquini sem nenhuma gordurinha a mais é, sem dúvida, um objetivo a ser alcançado.

8) Ser feliz mesmo com as adversidades e agradecer todos os dias por isso.

 

Acho q é isso. No próximo post, deixarei os nomes do 8 blogueiros “escolhidos”.

 

Baci!

Pra que despedidas?

Fevereiro 21, 2008

Aconteceu assim: um gaúcho apareceu repentinamente em terras tucujus e conheceu todos os meus amigos e se integrou “ao grupo”. Quando já estávamos adaptados ao seu jeito pimbudo de ser, ele precisou sair das terras tucujus para buscar novos caminhos e novos horizontes.

A convivência foi de poucas semanas mas tudo aconteceu numa intensidade tão impressionante que já o considerávamos como “membro da equipe”. Nessas poucas semanas, um pouco de tudo aconteceu: farras, passeios, doenças, gargalhadas e papos cabeça.

No dia de sua partida, eu estaria de plantão. Então, na véspera, falei com ele pelo MSN e desejei felicidades. Ele me garantiu que não viajaria sem se despedir de mim, mandando uma mensagem que me deixou enternecida (não, eu não sou meiga assim mas a mensagem tava muito bonita mesmo) mas nem sempre as coisas acontecem conforme a nossa vontade, então ele partiu sem se despedir.

Assim, deixei um testimonial no orkut pra ele porque fiquei pensando em despedidas…

Pra que despedidas?
Pra que despedidas se cada pessoa que passa pela nossa vida deixa um pouco de si e leva, mesmo que sem querer, um pouco de nós?
Pra que despedidas se quando nos aproximamos de alguém e deixamos que este alguem faça parte de nosso dia-a-dia (almoços, farras, passeios, doenças, papos cabeça, conselhos, etc.), percebemos subitamente que o Universo se modificou para que aquela pessoa lá entrasse?
Pra que despedidas se quando a amizade é verdadeira, só existe “até logo”?

Pensei, então, em vários tipos de despedidas. Desde os “tchaus” até os “até nunca mais” que, na maioria das vezes, nem imaginamos que irão acontecer. Claro que pensei também no famoso texto do Chaplin que diz que cada pessoa que passa pela nossa vida passa sozinha mas deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

O fato é que despedidas são momentos tristes de um sofrimento muitas vezes desnecessário, já que estamos neste mundo para interagir, mas podem ser também momentos de extremo crescimento pessoal.

Quando me despedi da minha mãe e dos meus amigos para morar em São Paulo, pensei que estava fazendo um negoção. Ledo engano. Estava na verdade cavando uma forma de voltar pra casa, mesmo inconscientemente e isso me fez amadurecer muito.

Quando me despedi de São Paulo para voltar pra Belém, achei que estava sendo a pior das losers. Ledo engano. Estava na verdade reescrevendo a minha história.

Quando disse “até logo” para Belém e vim morar em Macapá, julguei que passaria aqui apenas uma chuva, que não faria amigos, que não amadureceria mais e que voltaria correndo pra Belém, ao final dos 2 anos. Há cerca de 2 semanas, eu disse “olá” pra Macapá e percebi que já aprendi muito aqui, que já me encantei com muitas coisas da terra, que aqui encontrei amigos fantásticos que não encontraria em outro lugar, que apesar de minhas raízes paraoaras, eu posso e sou muito feliz aqui em terras tucujus.

Pra que despedidas?

Guardo com saudades todo mundo que me fez e faz bem. Sempre. Assim como lugares, cheiros, emoções.

Baci!

Da Minha Irmã

Novembro 20, 2007

Sou filha única, de mãe solteira, criada por mãe, avó coruja e tias.

Na verdade, meus pais se separaram quando eu tinha 03 anos e apesar de ser chamada eternamente como “meu xodó” e “my life” pelo meu pai e de receber cartões esporádicos dele escritos “do seu e sempre seu”, sempre foi com minha mãe, minha avó e tias Aurea, Beth e Yeda com quem pude contar.

Já comentei anteriormente que sempre fui extremamente mimada não apenas por todas as supracitadas mas também pelos meus tios, primos, professores, vizinhos, amigos, gato, cachorro, papagaio e periquito. E olha que nem sou tão meiga nem tão sensível assim mas acho que sempre rolou um certo sentimento de pena em relação à “menininha que vê o pai de 7 em 7 anos e nunca tem notícias dele nos intervalos”.

O fato é que passei por todas as fases, desde fantasiar que conversava com meu pai todos os dias até a fase de não tolerar sequer ouvir o nome dele, querer trocar de sobrenome e detestar sempre que me diziam que me pareço com ele. Eu já passei Natais grudada no telefone esperando por um telefonema e já passei aniversários sem querer sair de casa porque achava que ele poderia chegar a qualquer momento, coisa que jamais aconteceu.

Hoje ainda guardo certa mágoa porque acredito que minha vida teria sido melhor com uma figura paterna ao meu lado, mas também entendo que se ELE estivesse ao meu lado, provavelmente não teria sido nem um terço de tudo que eu imaginei que pudesse ser.

Sempre soube que tinha uma irmã. Certa vez, quando a minha avó paterna ainda era viva, fui a sua casa perto do Natal e vi uma pequena árvore com muitos bilhetes no lugar das bolas natalinas com vários nomes. Rapidamente achei o meu e dos meus primos que eu conhecia, mas achei um que me era totalmente desconhecido. Eu devia ter uns 08 anos. “Symone”.

“Quem é Symone, Vovó?”

“Symone é a tua irmã que mora no Rio”.

Minha irmã pra mim era um nome.

Soube mais tarde que antes de se casar com a minha mãe, meu pai achou uma primeira corajosa que se casou com ele, mas como ele já não era bom filho (como dizia minha avó Pascoa), jamais foi nem um bom marido nem um bom pai, a primeira corajosa teve mais coragem ainda e se separou dele pouco depois de ter tido uma filha e se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

Uma das coisas mais bizarras é que minhas lembranças da primeira infância me remetem ao meu pai. Era ele quem brincava comigo, me ensinou a jogar dominó e eu tinha um afeto tão grande por ele que demorei a entender que o problema dele não me procurar nunca, não era comigo. Ora, se tínhamos uma família que eu julgava feliz,  minha mãe me repreendia porque não me amava e meu pai que não apenas não me repreendia, como fazia todas as minhas vontades e ainda brincava comigo era a pessoa que mais me amava no mundo! Como fazer uma criança perceber que quem ama, educa?

Quem ama, está ao lado em todos os momentos bons, mas principalmnete nos ruins. Quem ama, não desampara. Quem ama, protege mas também não sufoca.

Em abril ou maio de 2007, quando eu ainda estava tentando me recuperar dos choques que recebi no fim de 2006 e fevereiro de 2007, fui abordada no Orkut pela Symone. Sim, minha irmã, filha do primeiro casamento do meu pai.

Confesso que inicialmente minha reação foi de desconfiança. Como assim? Depois de tantos anos? Se ela sempre soube que eu existia, por que nunca me procurou mas está me procurando agora?

O fato é que resolvi abrir a guarda e conhecê-la e ela me contou as coisas mais estapafúrdias e desconhecidas por mim, como o fato de só ter visto nosso pai uma única vez quando ela tinha uns 05 anos e de só ter sabido da minha existência uns 04 aos antes.

Começamos a conversar pelo MSN e por e-mail e nos aproximamos cada vez mais até que precisei ir ao Rio para fazer uma prova e nos conhecemos pesoalmente.

Acho que não consigo achar palavras pra definir a emoção de achar alguém que divide 50% da carga genética com você e que era até bem pouco tempo antes, uma desconhecida.

Além das semelhanças físicas, que não temos como evitar, as afinidades e os gostos são absurdamente parecidos e inegáveis, irrevogáveis. É como se estivesse encontrando tardiamente alguém que sempre esteve destinada a ser minha melhor amiga.

Hoje eu continuo me considerando filha única, mas uma filha única com uma irmã maravilhosa que me enche de orgulho e que me faz desejar conhecê-la cada vez mais.

Quanto a meu pai, apenas lamento que ele não faça parte da vida de pessoas felizes, amadas e verdadeiras como nós.

Do Círio

Outubro 14, 2007

Minha primeira lembrança do Círio é familiar. Almoço no domingo do Círio na casa da Vovó. Acho que eu tinha uns 3 anos e meus pais ainda eram casados. Fui festivamente apresentada ao Pato no Tucupi e desde então celebramos uma feliz amizade todos os anos.

Minha segunda lembrança do Círio é escolar. Em meio a letras mal escritas e garranchos, minha “tia” da escola falou que o Círio era o “Natal dos Paraenses” e eu achei aquilo uma balela muito grande. No Círio a gente nem ganha presente, pensei.

Minha terceira lembrança do Círio é novamente familiar. Meus primos e eu fazíamos parte de uma mesa anexa, já que a mesa da casa da Vovó não comportava todos nós. Era a “mesa das crianças” que durou muitos anos até mesmo quando nenhum de nós era mais criança.

Minha quarta lembrança do Círio é novamente escolar. Como estudava em um colégio católico, resolvi que participaria do Círio com o uniforme do Colégio, ajudando no carro dos milagres. Eu estava na oitava série e tinha uns 14 anos. Claro que minha última intenção era homenagear Nossa Senhora de Nazaré. A primeira, era ficar bem pertinho do garoto mais bonito do colégio que eu havia conhecido recentemente. O que era pra ter sido “farra”, acabou se tornando um momento intenso de reflexão. Tanto que passei a acompanhar o Círio todos os anos após isso, fosse para pedir ou, na maioria das vezes, para refletir e agradecer.

Minha quinta lembrança do Círio, por incrível que pareça, é de farra. Na véspera do Círio de 1999, inventei de ir a uma Rave na estrada, também conhecida como “Chácara do Kaveira”, em Benevides. O caminho até lá foi tranqüilo. O “detalhe” ficou por conta dos bons quilômetros que andei com meus pés e pernas enfiados na lama até chegar ao local onde a música estava. Não posso me esquecer também de que no trajeto, totalmente escuro, iluminado por pessoas vestidas de Druidas e com algumas tochas nas mãos, o grupo todo foi surpreendido por mulheres sujas de lama que gritavam desesperadamente e malucos com moto-serras na mão, ligadas. Eu, como toda a minha “experiência”, temia que um deles escorregasse na lama e deixasse a moto-serra “machucar” alguém, pra não dizer arrancar o braço de alguém. Na volta, quase de manhã e com o detalhe que nenhum Druida nos acompanhava com tocha alguma e o caminho estava, então, muito mais escuro do que na ida, após entrarmos no carro todos sujos de lama e com caras de malacos, um barulho estranho após passarmos por cima de um pedaço de pau (?)… Parada estratégica na Polícia Rodoviária para descobrirmos que a Lei de Murphy existe: o pneu traseiro havia simplesmente sido descapado. Espera cansativa pelo guincho para devolver o carro para Belém e em resumo, cheguei em casa toda suja de lama por volta das nove horas da manhã. Nesse dia tão hilário, quase não fiz nada além de dormir e comer o pouco Pato no Tucupi que caberia a mim, já que minha mãe estava firme no intuito de me dar um corretivo pelo susto que dei nela. Ela simplemsnte saiu para a procissão do Círio e sua filhinha ainda nem tinha chegado. Mas por incrível que pareça, o pior ainda estava por vir. À noite nesse mesmo dia, inventei de ir ao cinema com amigos e minha mãe não queria me deixar sair porque achava que eu estava usando drogas (ahuhuahuaahuauhhuahuahua). Enquanto eu esperava pela minha carona no pátio de casa, ouvi cochichos com minha avó sobre revistar as minhas coisas para ver se achavam algum indício de drogas. Quando entrei em casa gargalhando das intenções, acreditando que estavam brincando, as duas ficaram lívidas e foi assim que descobri que elas de fato achavam que eu estava consumindo dorgas ilícitas só porque tinha ido a uma festa na Floresta Encantada e voltado cheia de lama às nove horas da manhã. Ora, faça-me o favor!

Minha sexta lembrança do Círio é de amizade. Há quase nove anos, tenho a minha “melhor amiga” Thais e há pelo menos uns seis anos, assitimos o Círio do alto do Banco do Brasil da Presidente Vargas. Nesse ritual, incluímos muitas peripécias como madrugar, ir andando até o Ver-o-peso, participar da muvuca perto do Banco do Brasil, detonar o café da manhã dentro do Banco, milhões de fotos fantásticas, caminhadas após a passagem da Santa, além de almoço do Círio na casa da avó dela (Dona Odilla) com direito à melhor maniçoba do mundo e  uma mesa mais farta do que pra qualquer rei ou rainha. Não posso me esquecer também das longas horas de sono após o almoço, porque paraense que se preza, dorme horrores após o almoço do Círio, pro Pato e pra maniçoba fazerem a festa no estômago.

Minha sétima lembrança do Círio, talvez pelo sete ser um número cabalístico, é novamente familiar e extremamente querida. No Círio do ano passado, 2006, toda a minha família paraense se reuniu no Mangal das Garças após eu ter acompanhado o Círio do Banco do Brasil com a Thais e a Tia Susana. Naquela ocasião, meus primos e eu nos reunimos num dos cantos da longa mesa e recordamos a “mesa das crianças”, conversamos longamente e minha avó estava extremamente feliz por nos ver todos juntos novamente. Nesse dia, tirei a última foto do meu primo, fui convidada para ser madrinha do seu casamento e tive o último diálogo com ele. Quando a sua noiva pediu que eu os fotografasse naquele lugar, ele riu e brincou com ela, dizendo que não haveria porque tirar aquela foto naquele dia, já que ela morava em Belém e poderia ir até lá milhões de vezes. Ela disse que sim, mas que eu não estaria lá. Ele então falou “Olha, prima, ela tá te chamando de fotógrafa”. Mal sabíamos que eu estive no Mangal das Garças várias vezes depois disso, assim como a Thais, noiva dele. Só meu primo que não está presente.

Neste ano, não quis participar do Círio e inclusive resolvi voltar a Macapá na véspera, sem sequer assistir ao auto do Círio ou participar do Arrastão do Pavulagem ou da Chiquita. A Maniçoba e o Pato no Tucupi ficarão para uma outra oportunidade.

O Círio de Nazaré, porém, resume muito as coisas que eu mais amo na vida e que são de fato, as mais importantes: amor, família, fé, amizade, esperança, renovação, reflexão, paz.

Eu tenho muito orgulho de ser paraense e de fazer parte de uma festa tão linda, tão única como esta.

Desejo a todos os paraenses, um Feliz Círio, que hoje eu sei, é até mais importante para nós do que desejar um Feliz Natal.

Que as bênçãos de Nossa Senhora de Nazaré se perpetuem em nossas vidas e em nossos corações e que tenhamos nossas famílias abençoadas com paz, saúde e cada vez mais amor. Viva Nossa Senhora de Nazaré!

Do MSN

Setembro 27, 2007

Monografia para entregar.

Artigos para publicar.

Pôsteres para enviar ao congresso.

Provas de R3 chegando.

Milhões de artigos para ler.

Residência de Clínica Médica acabando.

Pós-graduação continuando.

Livros e livros para estudar.

Plantões e mais plantões para tirar.

Hora de sono para repor.

Filmes para assistir, DVDs para atualizar, livros para refletir, músicas para dançar.

Baladas para fritar.

Bocas para beijar.

Novo emprego para conquistar….

E tudo que eu consigo fazer é me pendurar no MSN pra saber quem entrou ou deixou de entrar e bater um papinho…

A vida era mais simples antigamente… ;)

De como ganho a vida

Agosto 19, 2007

Perdão por destruir as esperanças de algum desavisado que tenha começado a ler este blog por este post, mas não vou contar aventuras e desventuras “Bebelísticas”.

Posso ser considerada uma criatura que ganha a vida à noite, mas trabalho também durante o dia. Aliás, trabalho bastante durante o dia, em vários lugares diferentes, dependendo de onde sou chamada.

Sou uma criatura errante: a médica plantonista!

Médicos plantonistas deveriam ser médicos com bastante experiência em Pronto Atendimento, isto é, médicos com cerca de 10 anos de formados, com Residência Médica e de preferência subespecialização em Medicina de Urgência. Deveriam.

Entretanto, na maioria das vezes, tratam-se médicos jovens, recém-formados e inexperientes que aceitam trabalhar em Pronto Atendimento porque e a primeira proposta que surge, já que ninguém quer passar muito tempo “na vida”. É como a diferença entre ser “do calçadão” e ser “fixe”. Não por acaso muitas vezes eu já disse que nenhuma “profissional do sexo” trabalha tantas horas seguidas por tão pouco.

A rotina de um plantão em um Hospital, quer seja público ou particular não difere muito e se resume a 90% dos pacientes (sim, é este o número aproximado)  que procuram o Pronto Atendimento (vulgo Ponto Socorro) para consultas ambulatoriais (aquelas consultas que podem esperar para serem marcadas).

Outros 8 a 9% são pacientes que deveriam ter procurado o Hospital até antes, mas ficaram protelando, passaram na farmácia e se consultaram com o balconista, melhoraram pouco ou não melhoraram nada aí procuram o médico de preferência depois das 2 horas da manhã e não nos resta muita coisa além de interná-los e/ou mantê-los em observação na Urgência.

Os outros 1 a 2% são o verdadeiro motivo de ter que haver Pronto Atendimento nos Hospitais. Tratam-se das Emergências, ou seja, situações em que temos que intervir imediatamente, ou o paciente morre. Sim, são só 2% dos casos.

Isto significa que cada vez que saio da minha confortável casinha para trabalhar à noite ou de dia, nos finais de semana e feriados, 98% dos casos poderiam ter esperado se não até o primeiro dia útil seguinte, pelo menos até o dia seguinte.

Mas naqueles 2% poderia estar minha mãe, um ente querido seu ou qualquer ser humano que merece cuidado, atenção e conhecimento médico suficiente pra resolver o seu problema.

Infelizmente não é o que acontece na maioria das vezes porque os médicos que estão nos Pronto Atendimentos freqüentemente não sabem identificar situações REALMENTE graves.

Costumo dizer que há no mínimo 4 coisas principais que detesto nos plantões:

1. Pacientes que se diagnosticam e chegam ao Hospital dizendo o que têm e que conduta querem que eu tome, no melhor estilo: “Quero fazer exame pra Dengue”. “Não dá pra fazer uma chapa!”. “A Sra não vai passar nem uma Benzetacil!”

2. Pacientes que não apenas se diagnosticam, como vão ao balcão da Farmácia. O balconista prescreve, diz por quantos dias a pessoa tem que tomar o remédio, até escreve na caixa ou num adesivo especialmente feito pra isso. Aí (adivinhem!), não adianta, o paciente não melhora e resolve então procurar o médico pra ele contornar a situação e tratar como deveria ser tratado. Enquanto isso, antibióticos são usados de forma errada, medicações com contra-indicações importantes são prescritas e não são avaliadas e diagnósticos errados são feitos!

3. Pacientes com doenças graves, crônico-degenerativas ou então subagudas que não procuram atendimento médico e não aceitam seus diagnósticos. Esse tipo de paciente é comum e também é conhecido como Tigrão. Não aceitam as condutas instituídas mas fazem questão de continuar indo aos Pronto Atendimentos, creio que na esperança de conhecerem algum médico insandecido que concorde com eles e de preferência diga que eles têm alguma doença muito grave ou, ao contrário, digam que a Insuficência Cardíaca, a Insuficência Renal, o Diabetes mellitus e etc são apenas delírios de mentes doentias que apenas por acaso, possuem registro no Conselho Regional de Medicina. Incluo aqui pacientes com distúrbios neurovegetativos que acham sempre que estão infartando ou morrendo e na verdade têm apenas transtorno de ansiedade (na maioria das vezes).

4. Detesto atender pacientes mal conduzidos e ser responsável pelos “deslizes” de “colegas” que não examinam os pacientes ou subestimam a história clínica, deixando todos os “pepinos” pra eu descascar. Incluo aqui vários “colegas” que fingem que fazem Medicina, mas já se tornaram charlatães há anos e ainda não sabem disso!

Mas acima de qualquer coisa que eu deteste, há pelo menos uma que vale por mais de um milhão de coisas detestáveis: a certeza do dever cumprido.

É maravilhoso quando diagnosticamos corretamente, conduzimos corretamente e o paciente melhora. A gratidão é variável e sinceramente acho que, apesar de muito bom quando acontece, torna-se secundária quando a gente encosta a cabeça no travesseiro e tem certeza de que fez tudo o que pôde e… Deu certo!

Muitas vezes, fazemos tudo que está ao nosso alcance e mesmo assim não dá certo. Mas isso está relacionado a muitas coisas que estão acima de nós e convém ser citadas em outra ocasião. Mesmo nesses casos, quando refletimos sobre o caso e percebemos que fizemos de tudo e não deu certo, apesar da sensação conhecida de impotência, a sensação de dever cumprido é pelo menos reconfortante.

Claro que os plantões são muito importantes, principalmente nos primeiros anos da carreira, já que precisamos nos sustentar, mas não conheço médico que não sonhe em abandonar essa vida e voltar a dormir todas as noites na sua humilde casinha. Um dia chegarei lá!

Como costumo dizer: “Quando eu for médica….”, isto é, quando eu deixar de ser uma mera médica residente, tiver terminado minha segunda residência e for uma especialista, se Deus quiser, podendo escolher o trabalho e etc, vou dormir todas as noites na minha cama box. Isto se chama ser “fixe”.

De  todos os plantões que até hoje tirei na minha vida de médica, guardo muitas lições de vida e de Medicina e a certeza de que sou muito feliz por ser médica. E isso importa muito mais do que milhões de noites mal dormidas!

Baci!

Da Inspiração

Agosto 15, 2007

Como disse anteriormente, a primeira vez em que a loucura de criar um blog me surgiu foi nos idos de 2004.

Era uma recém-formada muito besta. Como nunca havia saído da barra da saia da mamãe, da vovó e da titia (isso é o que eu chamo de muitas barras de saia!), não entendia nada da vida mas achava que sabia de tudo.

Como tudo na minha vida tinha sido muito fácil até então, tive que me defrontar com uma realidade nada fácil. Eu havia sonhado e planejado fazer residência de Clínica Médica em São Paulo, como qualquer recém-formado sonha. Algo como sair do interior e vencer na cidade grande. O único detalhe foi que eu só fiz 02 provas e não por acaso, as provas mais difíceis do Brasil, acreditando que se eu não passasse logo de primeira, poderia estudar mais um ano em São Paulo e fazer novas provas no ano seguinte.

Para tanto, recusei propostas de emprego, deixei de fazer concurso para médica do Ministério Público e recusei assim, bem esnobemente, as Residências em Belém. Meu plano era simples: sair de Belém, cidade atrasada e sem futuro para mim até então e ser extremamente feliz com meus brinquedos novos em São Paulo.

Eu imaginava uma vida fantástica. Trabalharia muito, aprenderia muuuuitas coisas novas, ganharia muito dinheiro e ainda poderia passear à beça pelas redondezas. Tudo perfeito se não fosse a nada simples realidade de que eu era, no fundo, uma ilustre desempregada.

Cheguei a São Paulo para ficar umas duas semanas na casa de uma amiga que dividia o apartamento com outras duas que também tinham amigas hospedadas. Entre o início do meu curso para as provas de residência e a saudade da minha casa e dos meus amigos, acredito que fiquei em depressão.

Fui obrigada a tomar muitas doses de um remédio nada prazeroso que se chama realidade. Eu tinha compromissos e não poderia fugir deles. Assim, meus cabelos começaram a cair desesperadamente e eu não parava de comer.

Comia de tudo: Giraffa’s, Habib’s, McDonald’s, Bob’s, lanchinho da esquina, sorvete no maior frio do mundo e tudo mais. Meus únicos momentos alegres eram na frente do computador, de preferência comendo alguma coisa.

Conversando com minha amiga Thais que até esse momento era minha maior referência em Belém já que nem minha mãe queria que eu tivesse ido morar em São Paulo, ela me sugeriu que eu escrevesse um blog, pra que pudéssemos matar a saudade e eu pudesse também contar minhas “aventuras” em terras alheias.

Foi então que eu conheci o “Blog mais legal da Amazônia Legal”. Tenho que admitir que o Pedrox foi minha companhia constante na “Terra da Garoa”. The NowhereLand era divertido e me fazia sair da realidade que eu estava enfrentando.

Cheguei a conversar com o Pedrox algumas vezes e até pedi alguns conselhos quanto a iniciar o blog com aquelas dúvidas eternas: do que falar? com que freqüência? quem vai ler? pra quê? e se eu escrever só uma vez e nunca mais?

O grande problema, acho eu hoje, é que eu não queria mais ouvir críticas, já que eu ouvia de todas as pessoas do mundo naquela época. Até do mendigo na estação de metrô.

Mas antes que eu pudesse transformar minha idéia em realidade, o colo da mamãe falou mais alto e resolvi voltar a Belém, uns 3 meses depois.

Já em Belém, minha vida começou a voltar aos eixos e pude aprender meio na marra o que deveria fazer e que caminho deveria seguir.

Falando assim, acho que qualquer pessoa vai me achar uma “loser”. De fato, eu mesma me senti loser por muito tempo, até amadurecer mais um pouco pra entender que se mudamos o rumo inicial não é porque somos fracos e sim muito mais fortes do que imaginávamos.

Durante uma viagem ao Rio de Janeiro, vi uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil sobre a América Pré-Colombiana. Lá, uma das coisas que mais me chamou a atenção é que os povos nômades eram considerados até pouco tempo atrás como mais atrasados porque não se fixavam em nenhum lugar. Porém, os historiadores achavam, na verdade, que eles eram mais evoluídos do que os demais justamente porque conseguiam adaptar-se a diferentes locais em pequenos intervalos de tempo.

Ou seja, o que para uma pessoa pode parecer atraso, pode se mostrar na verdade um avanço muito grande.

Hoje eu acho que minha estadia em São Paulo foi algo como “um passo pra trás para muito a frente”. Claro que hoje, com três anos e meio de formada, eu já poderia estar terminando o R4 de alguma coisa, provavelmente Geriatria, que era meu desejo inicial.

Atualmente, na verdade, estou terminando o R2 de Clínica Médica e tentando me preparar para fazer Oncologia, subespecialização que jamais teria sonhado fazer, mas que se mostrou apaixonante pra mim.

Nos dois anos em que trabalhei ao invés de fazer Residência, pude conhecer muitas pessoas, trabalhar com pessoas maravilhosas que me ensinaram muito, aprender a pagar minhas contas e decidir o rumo verdadeiro que quero dar à minha vida. Esses 2 anos também me serviram para uma adaptação melhor à Residência quando a comecei, além de terem me ajudado a me sustentar durante a Residência, já que como eu sou uma perdulária, não guardei quase nada de dinheiro, mas tive e ainda tenho (Graças a Deus!) muitas propostas de emprego justamente porque tenho experiência em grandes hospitais e não sou mais uma recém-formada tão besta.

Sei que não sou a melhor médica do mundo, mas me esforço para ser a melhor possível.

Desta forma, gostaria de agradecer ao Pedro, pela inspiração e pelo incentivo.

O “Blog mais legal da Amazônia Legal” não existe mais. Em seu lugar existe o “Blog do Pedrox“, mas a idéia permanece e eu acho que continua a ser o blog mais legal.

Baci!

Da Saudade

Agosto 14, 2007

Há exatos 6 meses recebi a segunda pior notícia da minha vida.

Segunda, se for considerar a ordem cronológica, já que aconteceu menos de 3 meses após a pior notícia da minha vida, mas também pode receber a “medalha de ouro” se considerar que a seqüência de fatos me remeteu à frase “atirar em cachorro morto”.

Lembro como se fosse hoje. Estava no ambulatório de Oncologia, atendendo uma paciente em seguimento de câncer de mama, 34 anos, mastectomizada, provavelmente abandonada pelo marido e com a esperança de viver no máximo mais uns 5 anos, a não ser que tenha muita sorte.

Recebi um telefonema que consideraria banal. Há dias em que recebo mais de 5 telefonemas da minha mãe. Atendi como atendi milhões de outros, mas dessa vez não era minha mãe que falava e sim uma de nossas vizinhas, já que nem minha mãe teria coragem de me dar tal notícia.

Minha avó, minha mãe, meu tudo, minha vida, meu exemplo, estava morta.

Simples assim. Foi dormir e não acordou.

Minha mãe bateu na porta de seu quarto e ela não se levantou.

Imediatamente, como num filme, todas as imagens da minha vida passaram na minha mente. E as lágrimas, o desespero e a sensação tão conhecida de impotência eram inevitáveis.

Após o estado de choque, os dias de revolta, as noites sem dormir, consegui me sentir abençoada por ter convivido com minha avó por 26 anos, por ter sido tão amada e não me contive ao pensar em tantos milhares de momentos bons.

Dois dias antes, em 11 de fevereiro, tivemos o almoço de domingo derradeiro. Um, entre tantos que ficarão guardados na minha memória até o fim dos meus dias.

Impossível pensar na minha vida sem pensar na minha avó. As canções de ninar, em especial uma que só ela contava pra me fazer dormir que durante muitos anos acreditei que ela mesma tivesse composto. Uma canção triste que fala sobre a perda do filho amado. Impossível não pensar na morte do meu primo, a pior notícia que recebi até hoje, menos de 3 meses antes da morte da minha avó.

Minha avó era uma mulher simples, que não conheceu o pai porque ele morreu quando ela ainda era bebê de colo, pouco depois da família ter vindo se instalar no Brasil com o boom da borracha, em busca de uma vida melhor. Era uma mulher lindíssima, à frente de seu tempo, tanto que só se casou aos 27 anos, numa época em que as mulheres se casavam aos 15!

Certa vez perguntei a minha avó como ela conheceu meu avô. A resposta foi simples e nada modesta: “Ele almoçava num restaurante perto da minha casa. Viu, gostou… Então nos casamos”

Após o casamento, passaram algum tempo em Manaus até resolverem se instalar em Belém. Tiveram 5 filhas e minha mãe é a terceira.

Até hoje não sei o porquê da preferência. Não sei se vovó me achava frágil demais ou se julgava que o casamento de meus pais não teria futuro, como de fato não teve. “Não é um bom filho então não será bom marido nem bom pai”. O fato é que vovó sempre foi alucinada por mim. Ela se dispunha a sair de sua casa todas as tardes, para cuidar de mim, brincar comigo e fazer todas as minhas vontades.

Após o divórcio dos meus pais, quando eu tinha 03 anos, tornou-se impossível que mamãe e eu não fôssemos morar na casa da vovó, já que mamãe precisava trabalhar e a vovó tinha tanto afeto por mim.

Eu tive a melhor infância do mundo.

Para a vovó, eu era a criança mais linda, mais inteligente e ainda me lembro das brincadeiras, do carinho, dos passeios de bicicleta, dos lanches com mamão e banana, das tardes no balé e na natação.

Vovó dizia que sofria ao pensar que não me veria adulta, formada e Deus sabe o quanto ela ficou feliz quando me viu de beca. Fiz questão que ela me visse e constatasse que eu era, enfim, médica, do jeito como ela sempre sonhou que eu fosse.

Durante a adolescência, ela implicava com meus namorados, temia pela minha castidade e certa vez, quando eu disse que queria ser engenheira civil, ela me disse que seria a maior vergonha da vida dela. Hoje acredito que se eu fosse astronauta, música, bailarina ou domadora de leões, ela se orgulharia de mim da mesma forma.

Sempre que eu viajava, ela me recebia com muitos beijos e um pudim feito só pra mim. Era a forma que ela tinha de me dizer que sentia minha falta.

No último almoço que tivemos juntas, dois dias antes de seu falecimento, após eu forçá-la a comer, ela se sentou na cadeira de balanço e me perguntou quando eu voltaria pra casa.

“No final do ano”, disse eu sem muita convicção;

Ela então, segurando o “terço” em uma das mãos, usou seus dedos com osteoartrose pra contar: “Março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro. Faltam 10 meses pra tu voltares pra casa”

Desde esse dia, senti a necessidade de voltar a Belém o mais rápido possível.

Viajei na madrugada desse mesmo dia e não me despedi dela pra não acordá-la.

Na verdade não me despedi dela porque nunca estaremos separadas. Onde quer que eu esteja, eu a levo comigo. Nas atitudes, nas manias, nos julgamentos, no caráter e até nos preconceitos.

Há seis meses sinto a falta dela, mas hoje tenho certeza de que voltaremos a nos encontrar.

    Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.


Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade
.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Do Título

Agosto 13, 2007

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Como disse anteriormente, o título deste blog faz uma nada discreta alusão à minha profissão, usando para tal o chamado “Pai da Medicina”.

Apenas para deixar a vida dessa ilustre pessoa mais clara para pessoas nao hipocráticas, vou explicar melhor do que se trata.

Hipócrates é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado “pai da medicina“. Hipócrates era um asclepíade, isto é, membro de uma família que durante várias gerações praticara os cuidados em saúde.

Nascido numa ilha grega, os dados sobre sua vida são incertos ou pouco confiáveis. Parece certo, contudo, que viajou pela Grécia e que esteve no Oriente Próximo.

Nas obras hipocráticas há uma série de descrições clínicas pelas quais se pode diagnosticar doenças como a malária, parotidite (caxumba), pneumonia e tuberculose. Para o estudioso grego, muitas epidemias relacionavam-se com fatores climáticos, raciais, dietéticos e do meio onde as pessoas viviam. Muitos de seus comentários nos Aforismos são ainda hoje válidos. Seus escritos sobre anatomia contém descrições claras tanto sobre instrumentos de dissecação quanto sobre procedimentos práticos.

Foi o líder incontestável da chamada “Escola de Cós”. O que resta das suas obras testemunha a rejeição da superstição e das práticas mágicas da “saúde” primitiva, direcionando os conhecimentos em saúde no caminho científico. Hipócrates fundamentou a sua prática (e a sua forma de compreender o organismo humano, incluindo a personalidade) na teoria dos quatro humores corporais (sangue, fleugma ou pituíta, bílis amarela e bílis negra) que, de acordo com  as quantidades relativas presentes no corpo, levariam a estados de equilíbrio (eucrasia) ou de doença e dor (discrasia). Esta teoria influenciou, por exemplo, Galeno, que desenvolveu a teoria dos humores e que dominou o conhecimento até o século XVIII. Sua ética resume-se no famoso Juramento de Hipócrates. Porém, certos autores afirmam que o juramento teria sido elaborado numa época bastante posterior.

Juramento de Hipócrates:

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto!

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça!”

Uma das coisas que eu acho mais interessantes no público leigo em geral é que as pessoas costumam se referir ao Juramento de Hipócrates como se nós, médicos, fizéssemos algum tipo de juramento de castidade e de pobreza como os sacerdotes.

O juramento que proferi no dia 07 de Janeiro de 2004 foi um pouco diferente desse, já que não citamos mais Higéia, Panacéia e outros fatores complicadores.

Aos que me acompanharam até o fim deste post informativo, muchas gracias!

Baci!

Boas Vindas!

Agosto 12, 2007

Sempre adorei ler blogs de amigos, conhecidos ou nem isso.

A forma como as pessoas se expressam me fascina verdadeiramente.

Mas, além de gostar de ler, sempre tive um preconceito grande demais com tudo que eu escrevia ou pensava em escrever. Clichê ou nada de importante. Nada de bom para acrescentar.

Minha primeira idéia de criar um blog surgiu em 2004, quando por alguns meses residi em São Paulo. Longe de casa, da família, dos amigos e de todas as minhas referências, a leitura quase diária de blogs locais me fez sentir mais perto das coisas mais típicas e mais apaixonantes que a minha terra tem e que, por ironia do destino, mais me fizeram querer sair dela pra procurar novos horizontes.

Após o retorno a casa (o bom filho à casa torna ou a boa casa faz com que o filho retorne?), não tive mais ânimo, tempo nem disposição para uma empreitada como esta. Trabalho, família, namorado, novos rumos, idéias diferentes das que eu imaginava, nova realidade que eu tive que encarar.

E foi mais uma vez longe de casa, com amigos novos, nova realidade porém vislumbrando a possibilidade de voltar a Belém brevemente que passei a ler blogs de paraenses novamente e a vontade ressurgiu.

Assim, criar este blog pode ser mais uma das minhas loucuras. Talvez eu não passe destas boas vindas, mas prefiro encarar como a realização de um projeto que há muito deixei pra trás.

O título, nada original, é apenas uma referência à minha profissão que, certamente, será muito comentada por aqui.

Obrigada pelo apoio e beijos!